- Obter link
- X
- Outras aplicações

PONTO PRÉVIO: a degradação da autoridade e do prestígio profissionais dos professores, bem como do seu colossal empobrecimento salarial, derivam de opções de consecutivos governos nos últimos 17 anos - 4 do PSD/CDS e 13 do PS, acolitado, na última legislatura, pelo PCP e BE.
A gigantesca e poderosa manifestação do passado sábado, dia 17, que terá juntado perto de 30 mil docentes, marca o fim daquele sindicalismo cloroformizado que, como bem assinalou o Professor Santana Castilho, tem persistido «na representação do papel de lamuriosas vítimas enganadas e as lutas sindicais têm sido cada vez mais aprisionadas pelos interesses das conjunturas partidárias e cada vez menos centradas na eficácia da defesa dos interesses profissionais dos seus representados. Os sindicatos têm sistematicamente fugido das lutas que provocariam mudanças nas relações de poder. Por acomodação, medo reverencial e iniciativa nula.»
Para 2023, a prova de vida da FNE e da FENPROF resumir-se-á, no mínimo, a um de dois ganhos:
- A contabilização integral – como aconteceu, nos exatos termos, por decisão do atual governo, com os enfermeiros – de TODO o tempo de serviço efetivamente já prestado
- Ou a extinção dos garrotes, vulgo quotas, no acesso aos 5º e 7º escalões.
A postura das grandes e tradicionais federações sindicais, muito longe do vigor com que agora atacam, de modo burgesso, os colegas que decidiram dizer BASTA!, culminou, como há muito se previa, na manifestação, genuína e espontânea, do passado sábado, afinal, a consumação de um divórcio há muito anunciado.
Esses sindicatos foram ultrapassados. Na sobranceria de quem se habituou a acumular, impunemente, erros e derrotas vexatórios, não previu nem concebeu tamanha demonstração de força e união. Um erro (de cálculo) irreparável. Agora, nada será como dantes.
Aliás, no imediato, de pouco valerá aos sindicatos tradicionais reverter a seleção de professores por conselhos locais de diretores ou a constituição de mapas (inter)municipais.
Desta vez – e socorrendo-me, de novo, do Professor Santana Castilho – não haverá espaço para «um ritual hipócrita de prolongadas e falsas negociações e caricaturais protestos (abaixo-assinados, cordões humanos, marchas, vigílias e demais diletâncias)», até porque, «no fim, o ministério ganha e os sindicatos também: o primeiro por ter pregado mais um prego no nosso caixão; os segundos por terem “evitado o pior", expressão laudatória das suas sucessivas vitórias de Pirro. Só os professores têm perdido. Perdido sempre, desde 2005!»
Finou-se o tempo das vitórias de Pirro.
O poder político tem ido ao bolso dos professores de uma forma infame, não se coibindo de os achincalhar e menorizar no pelourinho da opinião pública..
Para 2023, a prova de vida da FNE e da FENPROF resumir-se-á, no mínimo, a um de dois ganhos:
- A contabilização integral – como aconteceu, nos exatos termos, por decisão do atual governo, com os enfermeiros – de TODO o tempo de serviço efetivamente já prestado
- Ou a extinção dos garrotes, vulgo quotas, no acesso aos 5º e 7º escalões.
Urge, na lógica, pura e dura, de subsistência daquelas organizações sindicais, pôr termo ao longo e pesado rosário que, para muitos, os rotulará de vencidos e perdedores inveterados. Para esses, deixou de haver margem de manobra.
Um novo tempo começou na defesa dos professores e de uma escola pública provadamente valorizada. Quem escolher negar a (nova) realidade, perderá. E perderá irremediavelmente.



- Obter link
- X
- Outras aplicações
Comentários
Falta o modelo de gestão e a falta de qualidade do ensino aos alunos. O ensino é medíocre.
ResponderEliminarRefere-se aos 7309 sindicatos de professores que farão parte do novo "super sindicato para 70000 milhões de portugueses obterem remunerações mínimas de 8000 euros mensais e juros de 10% nos empréstimos pessoais"? Liderados por André Ventura e que dizem ter, já, 8 milhões de euros para avançarem com "30000 dias de greves durante 2023"? Esse sindicato tão abrangente que vai desde os funcionários da limpeza urbana, passando por professores, por enfermeiros, por advogados, por juízes, por polícias, por directores de escolas, por militares, por funcionários públicos, por funcionários de táxi, por médicos, por funcionários de tvde, por jornalistas, por funcionários de empresas de correio, por funcionários de transportes públicos, abarcando quase 3 milhões de sindicatos, 99,995% inactivos desde a sua constituição, entre Maio de 2018 e Outubro de 2022, que se assume como sendo parte do grupo LEGA (italianos fascistas que defendem assassinatos e homicídios políticos). Serão esses que vão conseguir algo?
ResponderEliminarÉ que depois do que se passou em Setúbal (onde um grupo de 10 pessoas, do Chega e PSD, contratou 60 pessoas (40 euros, para cada), para se fazerem passar por professores e funcionários, em frente a uma escola secundária, liderada por um ex-sindicalista, para onde chamaram mais de 30 influencers (presumo que contratados a mais de 500 euros, cada um, como é costume) e 20 órgãos de comunicação social para fazerem a cobertura à adesão "gigantesca") já era altura de os próprios se começarem a perguntar de onde aparece tanto dinheiro e quem são os manipuladores daquelas personalidades "marcantes" e quem ganha com a publicidade.
https://duilios.wordpress.com/2019/05/23/rainh-do-xdrez/
ResponderEliminarA Luta não se faz com greves fofinhas!
ResponderEliminarHoje estou de greve. Hoje tenho conselhos de turma de avaliação e estou de greve. Os pré-avisos do S.TO.P. dizem greve "a todo o serviço" para este mês...
Será que a escola me vai marcar faltas injustificadas?
Os slogans são conhecidos: precariedade, falta de condições, degradação do estatuto etc. Mas parece-me que é chegado o momento de dizer: os concursos devem ser feitos com estes requisitos…os horários devem ser completos para todos e ser completados desta forma…a avaliação deve premiar competências e obedecer as estes requisitos…o estatuto deve ser revisto nestes pontos…a indisciplina e falta de respeito aos professores deve ser punida e ter as seguintes consequências…a formação deve passar a ser feita deste modo…
ResponderEliminarClaro que a definição de políticas deve ser de quem governa mas quem está do outro lado deve saber para onde quer ir. E é chegado o momento de se saber o que pensam os sindicatos. De outra forma quem pensa deixa de entender…
Os slogans são conhecidos: precariedade, falta de condições, degradação do estatuto etc. Mas parece-me que é chegado o momento de dizer: os concursos devem ser feitos com estes requisitos…os horários devem ser completos para todos e ser completados desta forma…a avaliação deve premiar competências e obedecer as estes requisitos…o estatuto deve ser revisto nestes pontos…a indisciplina e falta de respeito aos professores deve ser punida e ter as seguintes consequências…a formação deve passar a ser feita deste modo…
ResponderEliminarClaro que a definição de políticas deve ser de quem governa mas quem está do outro lado deve saber para onde quer ir. E é chegado o momento de se saber o que pensam os sindicatos. De outra forma quem pensa deixa de entender…