Recomendações de saúde pública – situação de fraca qualidade do ar e temperaturas elevadas

Quando o ar pesa: entre o calor africano e a leveza da imprudência

Há dias em que respirar deixa de ser um gesto automático e passa a ser um risco silencioso. Não porque nos falte o ar, mas porque o ar que temos já não é o que devíamos ter. A intrusão de massas de ar vindas do Norte de África, combinada com temperaturas elevadas, cria um cenário que oscila entre o incómodo e o perigoso, sobretudo para quem já vive com fragilidades respiratórias ou cardiovasculares.

Nestes momentos, a tentação de relativizar é grande. Afinal, “sempre houve calor” e “isto passa”. Passa, sim, mas não sem consequências para quem está mais exposto. É precisamente aqui que a saúde pública deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser um conjunto de gestos concretos, simples, mas decisivos.

As recomendações do Delegado de Saúde de Albergaria-a-Velha, Tiago Pinho Bandeira, não são um exercício burocrático nem um excesso de zelo institucional. São, antes, um aviso oportuno de que a prevenção continua a ser o mais eficaz dos tratamentos, como há muito sublinham entidades como a Direção-Geral da Saúde e o IPMA.

Recomendações do Delegado de Saúde de Albergaria-a-Velha

"Face à ocorrência de uma situação de fraca qualidade do ar, associada a uma massa de ar proveniente do Norte de África, bem como à previsão de temperaturas elevadas para os próximos dias, divulgam-se as seguintes recomendações de saúde pública, em especial dirigidas à proteção de grupos mais vulneráveis, nomeadamente crianças, idosos e pessoas com doença respiratória ou cardiovascular crónica.
Recomenda-se:
  • evitar esforços físicos prolongados e limitar atividades ao ar livre, sobretudo nas horas de maior calor;
  • ponderar a adaptação, redução ou reajuste de atividades no exterior durante os períodos de maior calor e/ou pior qualidade do ar, privilegiando, sempre que possível, horários de menor exposição e espaços interiores adequados;
  • privilegiar a permanência no interior dos edifícios, preferencialmente com janelas fechadas nos períodos de pior qualidade do ar;
  • reforçar a hidratação regular ao longo do dia;
  • assegurar o cumprimento da medicação habitual nos utentes com doença crónica;
  • evitar exposição ao fumo do tabaco e a outros irritantes respiratórios;
  • acompanhar com maior atenção pessoas mais vulneráveis ou dependentes.
Mais se recomenda a consulta regular da informação disponibilizada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e pelo IPMA, atendendo à evolução previsível das condições meteorológicas e da qualidade do ar.
Comunicado da DGS disponível em: https://www.dgs.pt/em-destaque/ocorrencia-de-situacao-de-fraca-qualidade-do-ar-recomendacoes-da-dgs17.aspx

Para efeitos de triagem e aconselhamento em saúde, poderá ser contactada a Linha SNS 24 (808 24 24 24)."

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