Da fidelização à freira espanhola


Por José Manuel Alho


Cheias. Conforme o noticiado, a subida do caudal dos rios Vouga e Caima forçou o corte de numerosas estradas - a 230-2, desde a Cambeia até Frossos, e desde Frossos até Loure, e a 577, que une Alquerubim à Fontinha. Angeja e Valmaior também viram os seus acessos interditados, num fim de semana que ainda assim não isolou qualquer localidade albergariense. Entretanto, e porque importa agilizar os mecanismos de reparação e de compensação, o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), Ribau Esteves, já garantiu que, em breve, deverá estar concluído o levantamento dos prejuízos das últimas cheias no baixo Vouga. Que assim seja.


 


Prevenção. Em face das alterações climatéricas, urge prevenir cheias e minimizar os estragos por elas provocadas. Daí que se imponha a conceção de um sistema verdadeiramente eficaz de regulação dos caudais dos rios através das barragens e um seguimento mais rigoroso dos estados de tempo, assente numa estreita colaboração entre entidades reguladoras, comandos dos bombeiros e institutos meteorológicos. A essa preocupação deve acrescer a reflorestação de áreas onde exista maior risco de arrastamento de sedimentos, usualmente negligenciada.


 


Fidelização. Soube-se agora que Cineteatro Alba (CTA) registou uma taxa de ocupação média de 72,5% em 2015. Em rigor, trata-se de uma subida (5,3%) em relação a 2014, ainda que tenham sido organizados menos 14 eventos. Contudo, destaque para o facto de o número de espectadores ter aumentado. Com o CTA, criou-se uma nova centralidade cultural que tem vindo a fidelizar o seu público. Não deixa de ser impressionante que, desde a sua reabertura, quase 90 mil pessoas tenham passado por uma das boas heranças do anterior executivo camarário.



(...) o arrojo de Assunção Esteves que, não vendo ninguém capaz neste país, se viu obrigada a recorrer a uma freira espanhola para pintar o seu retrato oficial. Isabel Guerra, também conhecida como “a freira pintora” ou “a pintora da luz”, foi lesta a dar um valor à encomenda: 15 mil euros. Quem paga? O Orçamento da Assembleia da República ou, numa tradução mais desempoeirada, o Zé Povinho.



 


Hospitaleiros voluntários. A Associação de Peregrinos Via Lusitana e a Federación Española de Asociaciones de Amigos del Camino de Santiago, em articulação com a Câmara Municipal de Albergaria, promoveram, no Albergue Rainha D. Teresa, a primeira edição do Curso para Hospitaleiros Voluntários em Portugal. Uma iniciativa que inova pelo seu conteúdo e alcance na medida em que envolve antigos peregrinos, que aceitam dedicar parte considerável do seu tempo a atender - de forma voluntária e gratuita – todos quantos pernoitam nos albergues.


 


Aturdido me confesso. O atual líder da oposição, Pedro Passos Coelho, num rasgo de vigoroso patriotismo, revelou-se incomodado com a possibilidade de investidores chineses entrarem no capital da TAP ao ponto de afirmar «não sabemos de que maneira é que o interesse público está definido e defendido.» Tudo estaria bem não fosse o caso de o anterior Primeiro-Ministro (PM) ter, entre 2011 e 2015, consentido que a empresa pública chinesa China Three Gorges se tenha tornado o maior acionista da EDP; que a chinesa State Grid, com 25% das ações, tenha assumido o estatuto de maior acionista da REN – Rede Elétrica Nacional; que o grupo chinês Fosun tenha comprado a Fidelidade e a ‘BES Saúde’, hoje chamada ‘Luz Saúde’ e que o grupo chinês Haitong tenha adquirido o BESI. Mais grave, o atual líder da oposição e o anterior PM são uma e a mesma pessoa!


 


Ou, se calhar, como bem profetizou Albert Camus, «Chega sempre um momento na história em que quem se atreve a dizer que dois e dois são quatro é condenado à morte. A estupidez insiste sempre».


 


Discordo de Miguel Real, pseudónimo literário de Luís Martins, quando, num texto publicado há coisa de um ano no PÚBLICO, concluía que «Portugal desenvolveu um imenso sentimento de medo em relação ao futuro (…). Uma insegurança terrível quanto ao futuro. E deixou de sonhar, de criar utopias, o que é absolutamente necessário para nos orientar a longo prazo na política.» O sonho, a segurança e a capacidade de orientação não se perderam. Pelo menos, em alguns. Recordo, por isso, o arrojo de Assunção Esteves que, não vendo ninguém capaz neste país, se viu obrigada a recorrer a uma freira espanhola para pintar o seu retrato oficial. Isabel Guerra, também conhecida como “a freira pintora” ou “a pintora da luz”, foi lesta a dar um valor à encomenda: 15 mil euros. Quem paga? O Orçamento da Assembleia da República ou, numa tradução mais desempoeirada, o Zé Povinho. “La gente canta con ardor, que viva España / La vida tiene otro color, España es la mejor».


José Manuel Alho

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