
"Ficamos ali horas trocando nadas. simplesmente adiando o tempo.
Alongando o milagre de estarmos ali."
Mia Couto
em "O último voo do flamingo"
Há momentos em que o tempo se desacelera, não por magia, mas pela necessidade humana de perpetuar o que conta: um olhar cúmplice, o calor de um afeto silencioso, a respiração ritmada de quem amamos.
Em noites assim, aprendemos a alongar o milagre da presença, como quem estende os minutos por entre os dedos, adiando o inevitável fim.
É nessa partilha dos “nadas” que reside a eternidade do instante, tal como sugere Mia Couto: “alongamos o milagre de estarmos ali”, simplesmente porque amar é resistir à pressa do mundo.
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