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Tomou posse na escadaria da ala oeste do Capitólio, em Washington e, apesar de ter parecido de improviso, foi o próprio a escrever o seu discurso. Uma mensagem nacionalista, desenhando uma América fechada sobre si mesma e orgulhosamente só. Por isso, são legítimos os receios de o novo timoneiro poder vir a tolerar a corrupção para dar poder às corporações, consentindo o empobrecimento dos direitos civis e a degradação do meio ambiente. Temo, por exemplo, que a fragilização da liberdade de expressão e de uma imprensa independente faça reavivar cenários que há muito julgávamos (para sempre) enterrados. Mas a História, na sua ancestral sapiência, recupera desafios.
Eu acredito na História. Daí que também eu, nestes tempos de minguada esperança, me aproprie das palavras de Miguel Torga, (in “Diário” – 1948): «Eu acredito na História. Por isso, espero que ela escarre um dia sobre esta época, agoniada de nojo. Será tarde, evidentemente, para que os tartufos de agora sintam o cilindro da justiça a brunir-lhes a grandeza, e para que os humilhados tenham ainda em vida a desforra que merecem. Mas o homem dura pouco demais para poder assistir ao espetáculo inteiro da comédia de que também é comparsa. Tem de nomear representantes até para comerem os frutos das próprias árvores que planta. De maneira que eu delego na História um vómito azedo sobre isto.»
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