A Renault Portugal: dois meses de promessas digitais por cumprir

 


Desde que comprei o meu Renault Austral zero quilómetros, em novembro de 2023, na Carby de Aveiro, confiei cegamente na aplicação My Renault: histórico de manutenção ao alcance do dedo, quilometragem em tempo real, serviços conectados que prometiam transformar o carro num companheiro inteligente. Funcionou na perfeição até meados de dezembro de 2025. De repente, sem eu mexer em rigorosamente nada, a app barricou-se: mensagens de erro técnico, zero acesso aos dados do veículo, funcionalidades fantasmas. Dois meses de silêncio técnico depois, continuo privado do que paguei.

Segui a bíblia da marca ao pé da letra: reposição de fábrica do OpenR Link, desinstalação da app, redefinição de passwords, vídeos oficiais consultados frame a frame. Resultado? O mesmo vazio: o Austral aparece listado, mas sem quilómetros, sem garantias, sem história; só erros em loop. A Renault responde com emails cordiais, procedimentos cíclicos, zero explicações sobre a causa raiz: é a app? Os servidores? O meu carro específico? Nenhuma pista. Nem um pedido de desculpas pelos dois meses de inutilidade digital.

Impacto real: confiança automóvel em curtos-circuitos

Isto não é mero inconveniente; é quebra contratual. Comprei um carro conectado, não um calhambeque high-tech avariado. Quem depende da app para monitorizar manutenção, localização remota ou alertas de segurança fica na mão: eu, um professor com agenda cheia, perco tempo valioso a perseguir fantasmas digitais. Multiplique por milhares de clientes Renault Portugal: uma frota de Austral, Arkana, Captur, todos hipotecados a promessas que evaporam sem aviso.

A marca falha no essencial: informação transparente. Em vez de "causa provável identificada em X dias", atiram procedimentos copy-paste. Em vez de "desculpamos o transtorno com Y compensação", silêncio sobre responsabilidades. Quem confia numa Renault hoje arrisca o mesmo: um veículo mutilado nas suas funcionalidades modernas, sem prazo de validade para a resolução.

A luta do consumidor comum: canais que falham, mas não eu

Tentei o Livro de Reclamações Eletrónico: plataforma trava em "dados inválidos" para Renault Portugal S.A. (NIF 500970602), exige NIF's, telefones, moradas que recusa. Contactos web da marca? Formulários que não carregam ou opções que não abrangem "app avariada". Restam e-mails persistentes, CC para DECO, centros de arbitragem e Portal da Queixa pública.

Esta é a realidade 2026: marcas francesas vendem futuro digital, mas entregam passado analógico no pós-venda. Aos potenciais compradores: pensem duas vezes. Aos atuais: reclamem alto. Eu continuo a minha cruzada; o meu Austral merece mais que erros técnicos e e-mails evasivos.

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