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Há momentos em que o próprio tempo se farta da imobilidade e decide romper o vidro que o aprisiona.
Véspera de Abril é isso, o anúncio silencioso de que a liberdade não espera por permissões. Nesta imagem, vejo ponteiros que ganham pernas, coragem e rumo, como quem sabe que a História só avança quando alguém ousa pôr-lhe movimento.
Em 1974, fomos esses ponteiros inquietos.
Hoje, voltamos a sê‑lo cada vez que escolhemos a dignidade, a justiça e a memória.
Porque Abril não é um feriado, é um verbo: levantar‑se.
E amanhã, como então, o tempo voltará a andar connosco.
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