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Existe um cansaço invisível, uma fadiga que não nasce do corpo, mas que brota das profundezas do ser. É o peso de tentar ser inteiro num mundo que se acomodou às metades: metade da verdade, metade do esforço, metade da decência. Vivemos submersos no ruído das opiniões rápidas e das certezas vazias, onde quem se demora a pensar incomoda e quem aprofunda as questões apenas complica o imediato.
Cansa tentar fazer bem quando a norma é o "suficiente". Desgasta exigir rigor num tempo que premeia o mínimo. Há dias em que a entrada na rotina exige o esforço hercúleo de repetir e explicar o óbvio, não por falta de saber, mas porque o mundo lá fora ensina a facilidade e a distração. É um combate desigual e silencioso, onde ninguém aplaude a paciência ou mede o desgaste de quem não desiste.
Haverá momentos em que a tentação de desligar e ser "mais um" parece o caminho mais sensato. No entanto, ser inteiro, embora doa, é o que nos salva da indiferença e do cinismo. Podemos não mudar o mundo inteiro hoje, mas mudamos o espaço onde estamos: aquela sala, aquele momento, aquela pessoa. Ser inteiro é um ato de resistência. Desistir de o ser seria um cansaço muito mais amargo.
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