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CERTO DIA
certo dia que lhes pareceu perfeito ele veio do lado esquerdo
ela apareceu do lado direito
depois desse encontro
levam-se ainda pela mão um ao outro
e nenhum deles suspeita
porque nem temem a mútua perda
que chegará o dia em que ele sairá pela direita
e ela desaparecerá pela esquerda
Anthero Monteiro
Ele veio da esquerda, ela surgiu da direita. Convenceram‑se de que o centro era deles, como se o mundo lhes devesse um “para sempre” em suaves prestações. Durante algum tempo, deram as mãos, confundiram costume com amor, hábito com destino. E, como quase toda a gente, esqueceram que a geografia da vida tem saídas assinaladas, mas nunca avisos de véspera.
Um dia, ele afastou‑se pela direita, ela sumiu‑se pela esquerda. E o corredor ficou cheio de perguntas que nenhum deles teve coragem de fazer. Talvez seja essa a única honestidade possível nas histórias de dois: saber que até o perfeito tem fissuras, e que o verdadeiro milagre não é durar para sempre: é não mentir enquanto dura.
Anthero Monteiro
blog o banquete
crónica
desencontro
esquerda e direita
fim de relação
José Manuel Alho
poema Certo Dia
relações amorosas
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