A ditadura do bom senso: quando pensar demais é mal visto

Vivemos na era dourada do “bom senso”. Nunca houve tanta gente com opiniões prontas e soluções instantâneas para problemas complexos. Não estudaram, não investigaram, mas garantem que tudo é simples. E dizem-no com uma convicção admirável.

Na Educação, basta impor regras. Na Saúde, é só gerir melhor. Na economia, corta-se aqui e ali e está resolvido. Este “é só” tornou-se o novo dogma. O problema é que nada, absolutamente nada, é .

Pensar dá trabalho. Obriga a questionar, a duvidar, a reconhecer limites. O bom senso, esse, poupa esforço. É leve, confortável e, sobretudo, imune à verificação. Nunca falha porque nunca é testado.

Quem complica é visto como incómodo. Quem questiona é rapidamente rotulado. Vivemos melhor com frases redondas do que com realidades irregulares. Reduzimos o mundo até caber numa ideia simples, elegante e completamente vazia.

No entanto, a alternativa existe: aceitar a complexidade, enfrentar a dúvida e abandonar a ilusão. Poucos o fazem, porque pensar, a sério, nunca foi um exercício confortável.

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