- Obter link
- X
- Outras aplicações
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Há um hábito estranho que se instalou: pedimos desculpa por tudo. Por falar, por pensar, por discordar, por ocupar espaço. Pedimos desculpa antes de dizer bom dia, antes de fazer uma pergunta, antes de afirmar uma convicção, como se existir fosse um incómodo, como se pensar fosse excesso, como se ser fosse abuso.
Não é educação, nem delicadeza. É condicionamento. É uma espécie de aprendizagem lenta do medo. Aprendemos cedo a baixar o tom, a suavizar ideias, a limar palavras, a pedir licença para sermos quem somos, como se alguém nos tivesse concedido esse direito.
Mas existir não é uma concessão. Não é favor, não é tolerância alheia. Existir é ponto de partida, não é pedido de autorização. Hannah Arendt lembrava-nos que existir, no sentido pleno, é aparecer no mundo, ser visto, ser ouvido, agir, tomar lugar no espaço comum.
Quem se desculpa por existir acaba por se esconder. Fala menos, escolhe menos, exige menos. E isso não acontece por acaso. Convém que assim seja. Convém que as pessoas se apequenem sozinhas, convém que o silêncio se disfarce de boa educação.
Mas a democracia não vive de silêncio. Vive de presença, de palavra assumida, de responsabilidade dita em voz inteira. Não se pede desculpa por pensar, não se pede desculpa por ver, não se pede desculpa por escolher um lado. Pede-se rigor, consciência e coragem tranquila, aquela que não precisa de palco, mas também não se ausenta.
Não é educação, nem delicadeza. É condicionamento. É uma espécie de aprendizagem lenta do medo. Aprendemos cedo a baixar o tom, a suavizar ideias, a limar palavras, a pedir licença para sermos quem somos, como se alguém nos tivesse concedido esse direito.
Mas existir não é uma concessão. Não é favor, não é tolerância alheia. Existir é ponto de partida, não é pedido de autorização. Hannah Arendt lembrava-nos que existir, no sentido pleno, é aparecer no mundo, ser visto, ser ouvido, agir, tomar lugar no espaço comum.
Quem se desculpa por existir acaba por se esconder. Fala menos, escolhe menos, exige menos. E isso não acontece por acaso. Convém que assim seja. Convém que as pessoas se apequenem sozinhas, convém que o silêncio se disfarce de boa educação.
Mas a democracia não vive de silêncio. Vive de presença, de palavra assumida, de responsabilidade dita em voz inteira. Não se pede desculpa por pensar, não se pede desculpa por ver, não se pede desculpa por escolher um lado. Pede-se rigor, consciência e coragem tranquila, aquela que não precisa de palco, mas também não se ausenta.
coragem cívica
democracia e silêncio
direito a existir
Hannah Arendt
identidade pessoal
liberdade de expressão
pensamento crítico
- Obter link
- X
- Outras aplicações

Comentários
Enviar um comentário