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Há frases que nos confrontam em silêncio. Esta é uma delas. Estamos tão habituados a colocar-nos em segundo plano que, quando ousamos ocupar o primeiro lugar, a culpa chega antes do alívio.
Crescemos a ouvir que pensar nos outros é virtude e pensar em nós é suspeito. E, sem grande resistência, aceitamos esse guião. A vontade própria passa a ser adiada. O desejo encolhe. O cansaço normaliza-se. Até que, um dia, percebemos que a generosidade imposta por obrigação não salva ninguém. Apenas nos esvazia.
Colocarmo-nos em primeiro lugar não é quebrar laços, é repará-los. Não é egoísmo, é sobrevivência consciente. Quem nunca se cuida transforma-se, mais cedo ou mais tarde, numa presença ausente. Está, mas não chega. Dá, mas já não sente. A culpa, essa velha conhecida, apenas denuncia o treino prolongado da autoanulação.
Talvez seja tempo de inverter a lógica. Não pedir desculpa por precisar de parar. Não justificar a necessidade de respirar. Não baixar os olhos por escolher continuar inteiro. Porque só quem se respeita consegue, verdadeiramente, respeitar o outro.
Cuidar de si não é um luxo. É um dever ético consigo e com o mundo à sua volta.
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