Sangue novo? Calma, que o Alho não se mistura


Há quem passe a vida a clamar por sangue novo. Assim, em abstrato, como quem pede uma remodelação total da casa sem primeiro verificar se o telhado ainda segura. O problema começa quando confundem renovação com transfusão e competência com mera novidade. Nem todo o sangue novo é melhor. Às vezes, é apenas sangue em estágio.

E depois há os que, perante qualquer mudança, aparecem de estaca na mão, crucifixo em riste e um medo visceral de que alguém lhes troque as cortinas do poder. Nesses momentos, convém recordar uma verdade elementar: não misturem alhos com bugalhos. E, já agora, muito menos com vampiros.

Ser Alho tem destas coisas. Há uma responsabilidade histórica, quase medicinal. O alho afasta vampiros, purifica ambientes e, em certos casos, até saneia assembleias, reuniões e outras catacumbas onde a mediocridade gosta de repousar durante o dia.

Sim, é preciso sangue novo. Sempre foi. Mas sangue novo com ideias, com coragem e, sobretudo, com substância. Porque a política, a cidadania e a vida não se regeneram com glóbulos vermelhos em saldo de liquidação.

Quanto a mim, mantenho-me fiel ao apelido. Onde houver vampirismo social, político ou intelectual, lá estarei. Afinal, há tradições que importa honrar.

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