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Carlos Drummond de Andrade lembra-nos, com a simplicidade dos grandes versos, que o tempo não foi feito para ser guardado numa gaveta, nem poupado como se fosse moeda rara. O tempo é vida em movimento, e a sua verdadeira medida não está nos relógios, mas na intensidade com que amamos.
Há uma lucidez serena nestes versos: o tempo do eu e do outro, quando é verdadeiro, transcende qualquer contabilidade humana. Não se mede, não se economiza, não se adia. Vive-se. E viver, no fundo, é isto: permitir que o amor ocupe o lugar central da existência, sem pedir licença à pressa nem ao cálculo.
Num mundo que tantas vezes nos ensina a adiar, a dividir, a controlar e a racionar, este poema devolve-nos a simplicidade essencial: além do amor, não há nada que mereça o nome de plenitude. Amar é o sumo da vida, porque é nele que o tempo deixa de ser ameaça e passa a ser pertença.
Que saibamos, então, gastar o tempo com aquilo que realmente importa, sem essa mania moderna de querer ser prudente até na ternura. Há afetos que não se poupam: entregam-se.
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