- Obter link
- X
- Outras aplicações
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Há uma pedagogia pouco ensinada nas escolas e raramente celebrada nas salas de professores: a arte de dizer não.
Fomos formados para o contrário.
Para a disponibilidade permanente.
Para o “conte comigo”.
Para o heroísmo discreto que, tantas vezes, esconde desgaste.
Mas há um momento em que o “sim” deixa de ser generoso e passa a ser perigoso.
Alguns chegam envoltos em reconhecimento.
Com palavras bonitas, com admiração, com aquela tonalidade subtil de quem diz, precisamos de si.
E é aqui que se instala a dúvida.
Recusar parece ingratidão.
Aceitar parece obrigação.
Mas nem sempre quem nos chama sabe o custo que nos pede.
Não é.
O compromisso tem um corpo.
Tem um cansaço.
Tem limites invisíveis que, quando ignorados, cobram juros altos.
Como lembra Byung-Chul Han, na sua análise da sociedade do cansaço, o excesso de positividade, o excesso de ação, o excesso de disponibilidade conduzem ao esgotamento silencioso. O sujeito deixa de ser explorado de fora, passa a explorar-se a si próprio.
E fá-lo com entusiasmo.
Até não conseguir mais.
Responsabilidade para consigo.
Responsabilidade para com os que dependem de si.
Responsabilidade para com a qualidade do que faz.
Dizer não, quando tudo em redor puxa pelo sim, exige mais consciência do que alinhar com a corrente.
E mais coragem também.
Desafia.
Constrói.
E há fases em que o sim desgasta.
Fragmenta.
Empobrece.
Perceber a diferença não é um luxo.
É uma necessidade.
Como defende Carl Rogers, a pessoa só cresce verdadeiramente quando se escuta de forma autêntica. Ignorar o próprio estado interno não é altruísmo, é negação.
E a negação prolongada cobra sempre o seu preço.
Mas parar é, muitas vezes, o gesto mais lúcido.
Não para fugir.
Mas para preservar.
Para não perder aquilo que, depois, é impossível reconstruir com pressa.
O desgaste docente não começa nos grandes colapsos.
Começa na soma dos pequenos silêncios a si próprio.
Não é estar em todo o lado.
Não é aceitar todos os desafios.
Não é responder a tudo.
É saber escolher.
E aceitar que há momentos em que a escolha mais difícil, e mais honesta, é dizer não.
Não por desinteresse.
Mas por lucidez.
Não por desistência.
Mas por sobrevivência.
Fomos formados para o contrário.
Para a disponibilidade permanente.
Para o “conte comigo”.
Para o heroísmo discreto que, tantas vezes, esconde desgaste.
Mas há um momento em que o “sim” deixa de ser generoso e passa a ser perigoso.
O elogio que pesa
Nem todos os convites chegam com exigência explícita.Alguns chegam envoltos em reconhecimento.
Com palavras bonitas, com admiração, com aquela tonalidade subtil de quem diz, precisamos de si.
E é aqui que se instala a dúvida.
Recusar parece ingratidão.
Aceitar parece obrigação.
Mas nem sempre quem nos chama sabe o custo que nos pede.
A ilusão da disponibilidade infinita
A docência, e em particular a monodocência, vive de um equívoco antigo: o de que o compromisso é ilimitado.Não é.
O compromisso tem um corpo.
Tem um cansaço.
Tem limites invisíveis que, quando ignorados, cobram juros altos.
Como lembra Byung-Chul Han, na sua análise da sociedade do cansaço, o excesso de positividade, o excesso de ação, o excesso de disponibilidade conduzem ao esgotamento silencioso. O sujeito deixa de ser explorado de fora, passa a explorar-se a si próprio.
E fá-lo com entusiasmo.
Até não conseguir mais.
Dizer não não é desistir
Há uma frase que devia ser ensinada logo no primeiro dia de formação docente: dizer não também é uma forma de responsabilidade.Responsabilidade para consigo.
Responsabilidade para com os que dependem de si.
Responsabilidade para com a qualidade do que faz.
Dizer não, quando tudo em redor puxa pelo sim, exige mais consciência do que alinhar com a corrente.
E mais coragem também.
Entre o crescimento e a sobrevivência
Há fases em que o sim expande.Desafia.
Constrói.
E há fases em que o sim desgasta.
Fragmenta.
Empobrece.
Perceber a diferença não é um luxo.
É uma necessidade.
Como defende Carl Rogers, a pessoa só cresce verdadeiramente quando se escuta de forma autêntica. Ignorar o próprio estado interno não é altruísmo, é negação.
E a negação prolongada cobra sempre o seu preço.
O direito de parar
Num mundo que valoriza o movimento constante, parar tornou-se quase um ato de insubordinação.Mas parar é, muitas vezes, o gesto mais lúcido.
Não para fugir.
Mas para preservar.
Para não perder aquilo que, depois, é impossível reconstruir com pressa.
O desgaste docente não começa nos grandes colapsos.
Começa na soma dos pequenos silêncios a si próprio.
Uma ética pessoal
Talvez devêssemos redefinir o que significa ser profissionalmente comprometido.Não é estar em todo o lado.
Não é aceitar todos os desafios.
Não é responder a tudo.
É saber escolher.
E aceitar que há momentos em que a escolha mais difícil, e mais honesta, é dizer não.
Não por desinteresse.
Mas por lucidez.
Não por desistência.
Mas por sobrevivência.
bem-estar docente
burnout docente
cansaço docente
dizer não professores
equilíbrio profissional
gestão emocional
limites pessoais
monodocência
reflexão educação
saúde mental professores
- Obter link
- X
- Outras aplicações

Comentários
Enviar um comentário