O culto da indignação Permanente: quando o grito substitui o pensamento

Mudar de opinião deveria ser um sinal de crescimento. Um indício de aprendizagem, de contacto com novas ideias, de evolução intelectual. Mas o nosso tempo desconfia dessa mudança.

Vivemos numa cultura que valoriza mais a coerência do que a verdade. Mesmo quando essa coerência não passa de teimosia bem vestida, adornada com argumentos repetidos até à exaustão.

Admitir o erro exige coragem. Persistir no erro exige apenas orgulho, e por vezes vaidade. Entre os dois, a escolha revela mais caráter do que qualquer discurso elaborado.

Todos aprendemos, ou pelo menos devíamos. Todos evoluímos, ou corremos o risco de nos tornarmos versões rígidas de nós próprios. As convicções não são tatuagens gravadas a tinta permanente. São ferramentas, úteis enquanto funcionam, substituíveis quando deixam de servir.

Só o fanatismo confunde firmeza com imobilidade. Só a insegurança teme a revisão.

A inteligência exige a capacidade de reconsiderar. A maturidade pede humildade para reconhecer desvios. E a liberdade, essa, vive da dúvida, não da certeza absoluta.

Mudar de opinião não é trair o passado. É, muitas vezes, a única forma de respeitar o futuro.

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