Pequenas hipocrisias do quotidiano, o espelho que evitamos olhar

 
Gostamos de acreditar que somos coerentes. E somos, até ao momento em que deixamos de ser. Defendemos estilos de vida saudáveis enquanto escondemos bolachas como se fossem contrabando. Criticamos o sistema com fervor, mas não dispensamos um jeitinho oportuno.

A indignação tornou-se um desporto digital. Nas redes sociais, somos implacáveis. Na vida real, seletivos. Somos contra injustiças, desde que não nos afetem diretamente. Somos pela verdade, desde que não complique demasiado a narrativa.

A hipocrisia não é um desvio ocasional, é um mecanismo de conforto. Ajusta-se, adapta-se, justifica-se. Hoje dizemos uma coisa, amanhã outra, e pelo meio construímos explicações que nos permitem dormir descansados.

No fundo, não queremos necessariamente ser melhores. Queremos parecer melhores. E essa diferença, subtil mas decisiva, define grande parte do nosso comportamento.

Talvez o primeiro passo seja admitir o óbvio: falhamos, frequentemente e sem grande elegância. E talvez o segundo seja rir disso. Não com cinismo, mas com lucidez. Porque reconhecer a própria farsa pode ser desconfortável, mas é também estranhamente libertador.

Comentários

  1. Olá...
    Se tiverem oportunidade, convido-vos também a visitar o meu blog: noite.blix.pt
    Se o seguirem, terei todo o gosto em retribuir e seguir o vosso também.

    Obrigado

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