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Há pores do sol que não se limitam a fechar o dia, abrem perguntas. E esta frase, com a delicadeza de quem sabe que o horizonte também educa, lembra-nos que o desejo de partir nem sempre é fuga. Muitas vezes, é impulso de reencontro.
Partir pode significar procurar o que nos falta, mas também reconhecer o que já não nos serve. Há viagens que levam quilómetros. Outras levam coragem. E, convenhamos, há quem parta para o oeste apenas porque o leste já estava demasiado cheio de gente convencida de que sabe tudo, sobretudo sobre a vida dos outros.
A beleza desta reflexão está no seu paradoxo: queremos ir para longe, mas é no movimento que descobrimos a proximidade essencial de nós próprios. O sol desaparece, sim, mas não se extingue a luz que deixa em nós. E talvez seja isso que nos salva, a ideia de que cada despedida bem pensada pode ser uma forma de reconstrução, cada partida uma pedagogia da alma.
No fim, talvez não sejamos feitos para ficar imóveis, mas para aprender a seguir. E seguir, quando feito com lucidez, não é perder o lugar. É alargar o mundo.
Henry Thoreau
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