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Há frases que não precisam de gritar para se fazerem ouvir. Esta é uma delas: “Não há coisa mais espantosa que a ignorância em ação.” E, convenhamos, ela sabe atuar com entusiasmo, mesmo sem texto, sem ensaio e sem a mínima ideia do papel que está a desempenhar. A ignorância em ação tem sempre uma segurança admirável, essa coragem quase heroica de quem decide, fala, opina e insiste, precisamente porque não sabe que devia ter parado antes.
O mais divertido, ou talvez o mais trágico, é que a ignorância não costuma entrar em cena de mãos vazias, vem sempre acompanhada de convicção, pose e, por vezes, uma generosa dose de teimosia. É um espetáculo completo: quanto menos se sabe, mais alto se fala. Quanto menos se entende, mais certezas se distribuem. Quanto menos se lê, mais pareceres se emitem. É a democracia do disparate, com bilhete gratuito e aplauso interno.
Esta verdade incontroversa faz-nos sorrir porque reconhecemos nela uma velha conhecida da vida pública, da conversa de café e das redes sociais, esse palco onde toda a gente tem opinião sobre tudo, sobretudo sobre o que desconhece. A ignorância em ação tem esse dom raro de transformar o trivial em confusão e o simples em debate nacional. E fá-lo com uma naturalidade quase artística, como quem tropeça e ainda explica, com grande convicção, que foi o chão que se meteu no caminho.
No fundo, esta constatação é uma pequena lição de humor social: nem sempre o perigo vem armado de más intenções, às vezes vem apenas armado de certezas sem fundamento. E é aí que o riso se mistura com a cautela, porque rir da ignorância é saudável, mas deixar a ignorância governar, isso já tem menos piada.
O mais divertido, ou talvez o mais trágico, é que a ignorância não costuma entrar em cena de mãos vazias, vem sempre acompanhada de convicção, pose e, por vezes, uma generosa dose de teimosia. É um espetáculo completo: quanto menos se sabe, mais alto se fala. Quanto menos se entende, mais certezas se distribuem. Quanto menos se lê, mais pareceres se emitem. É a democracia do disparate, com bilhete gratuito e aplauso interno.
Esta verdade incontroversa faz-nos sorrir porque reconhecemos nela uma velha conhecida da vida pública, da conversa de café e das redes sociais, esse palco onde toda a gente tem opinião sobre tudo, sobretudo sobre o que desconhece. A ignorância em ação tem esse dom raro de transformar o trivial em confusão e o simples em debate nacional. E fá-lo com uma naturalidade quase artística, como quem tropeça e ainda explica, com grande convicção, que foi o chão que se meteu no caminho.
No fundo, esta constatação é uma pequena lição de humor social: nem sempre o perigo vem armado de más intenções, às vezes vem apenas armado de certezas sem fundamento. E é aí que o riso se mistura com a cautela, porque rir da ignorância é saudável, mas deixar a ignorância governar, isso já tem menos piada.
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