Quando o tempo chega tarde demais

Há frases que não apenas se leem, sentem-se. Esta, atribuída a Camilo Castelo Branco, lembra-nos uma verdade cruel e luminosa: o tempo não falha o destino, mas falha, muitas vezes, o momento certo.

Vivemos presos a uma ilusão confortável, a de que tudo se resolve por si, a de que basta esperar. Só que a vida raramente tem a delicadeza de esperar connosco. Há ocasiões em que o essencial chega, sim, mas chega depois, como quem bate à porta quando a casa já fechou. E é precisamente aí que mora a reflexão: a urgência não é inimiga da prudência. É, muitas vezes, a forma mais séria de respeito pelo que importa.

No fundo, esta imagem ensina-nos a não adiar o que merece ser dito, feito, amado ou defendido. Há palavras que salvam, gestos que resgatam, decisões que mudam destinos, mas todos eles têm uma condição simples e implacável: chegar a horas. A vida, essa professora exigente, raramente repete a chamada.

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