Bibliotecas: esse escândalo de utilidade pública

 

Não seria uma pequena revolução civilizacional se as bibliotecas fossem tratadas com a mesma reverência que os bancos? É que, convenhamos, uns emprestam conhecimento, memória e pensamento crítico; os outros emprestam dinheiro e, com uma facilidade inquietante, devolvem-nos juros, comissões e dor de cabeça.

A imagem é deliciosa na sua ironia: uma criança lê, sonha, questiona, cresce. Já o mundo adulto, tão orgulhoso da sua “seriedade”, continua a preferir cofres a livros, taxas a ideias e relatórios a imaginação. Depois admiramo-nos de haver tanta pobreza de espírito. Talvez seja porque fechámos demasiadas bibliotecas e abrimos crédito a mais.

Na verdade, uma sociedade decente percebe isto sem precisar de desenho animado: uma biblioteca bem usada vale mais do que um banco bem engravatado. Um ensina a pensar. O outro, quando muito, ensina a pagar. E nem sempre com elegância.

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