Há frases que parecem feitas para incomodar os adultos, e ainda bem. “Don’t grow up, it’s a trap” não é apenas uma provocação simpática. É um aviso contra a solenidade excessiva, contra a pressa de abandonar a leveza e contra a mania, tão nossa, de confundir crescimento com endurecimento.
Crescer, por si só, não é o problema. O problema é crescer mal, isto é, perder a curiosidade, amputar a ternura, matar o espanto e vestir a gravata da conformidade como se fosse um certificado de maturidade. Constato que há pessoas que envelhecem muito cedo, não no corpo, mas na alma. E isso é bem mais triste do que parecer sério à mesa do jantar.
A imagem lembra-nos que há uma dignidade rara em preservar o que somos de mais humano: a capacidade de brincar, de imaginar, de questionar e de sorrir sem pedir licença. O mundo já tem adultos em excesso e adultos verdadeiros em falta. Talvez por isso seja preciso defender, com alguma insolência, a criança que ainda nos habita. Não para fugir à responsabilidade, mas para não nos tornarmos prisioneiros do cinzento.
No fundo, crescer não deveria significar abandonar a infância interior. Deveria significar dar-lhe voz, sem deixar que a dureza do mundo a silencie. Porque há uma diferença enorme entre amadurecer e secar. E quem conserva leveza, mesmo depois das tempestades, continua a saber viver.

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