Portugal, esse país onde o excesso já vem com recibo

 

Há sempre qualquer coisa de profundamente português nesta mania de confundir inteligência com invenção e progresso com circo. A imagem acerta em cheio porque expõe a nossa velha paixão pelo exagero: adoramos construir máquinas, teorias e discursos, mesmo quando o bom senso já está a pedir socorro no fundo da sala.

Entre o razoável e o ridículo vai uma distância curta, mas há quem a atravesse com a segurança de um ministro em véspera de campanha. E depois espantam-se de que o país avance aos solavancos, como se a lucidez fosse um luxo e a prudência uma superstição antiquada. O problema não é faltar futuro. O problema é haver demasiado teatro à volta dele.

No fundo, esta caricatura faz-nos o favor de dizer o que muita gente evita: há limites, e quando os ignoramos em nome da pose, do improviso ou da fantasia, o resultado costuma ser uma mistura de gargalhada e desastre. O mais trágico é que ainda chamamos a isso “inovação”.

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