Centro de Transportes de Albergaria

 


Centro Coordenador de Transportes de Albergaria

Degradação aumenta preocupação da população e utentes

Depois de contactado por mais de uma dezena de leitores que insistentemente me alertou para o processo de acelerada degradação do Centro Coordenador de Transportes (CCT), importante infra-estrutura que parece votada a um contraproducente abandono.

Em visita ao local, constatei um vasto leque de situações que atestam uma realidade excepcionalmente perturbadora. No caso particular do CCT, que abriu portas em 1989, cumpre reconhecer que se trata de um importante equipamento, indispensável a uma vila que tem uma posição geoestratégica vital nas comunicações rodoviárias. Por ali passam, por mês, milhares de pessoas que percorrem o país de norte a sul, não ignorando as carreiras internacionais, oriundas de cidades tão prestigiadas como Corunha, Sevilha, Madrid, Paris, Nice, entre outras que asseguram a ligação a países tão civilizados como a Bélgica, a Suíça ou a Holanda.

Nesta perspectiva, a conservação, a manutenção e valorização daquela infra-estrutura deverão, defendem os leitores, merecer sempre uma atenção particularmente continuada da edilidade.

Na verdade, o CCT, para quem o vê ou ali chega pela primeira vez, não tem qualquer grafismo, de dimensões proporcionadas, a identificar a localidade onde se integra, à semelhança do que acontece, por exemplo, com a ponte aérea para peões, que atravessa o IC2 para fazer a ligação com o Bairro do Jogo. Muitos, quando ali param ou saem para tomar o seu café retemperador, julgam estar em Viseu ou em Oliveira de Azeméis.

O aspecto exterior, conspurcado com grafites, ilustra uma deterioração relativamente inaceitável para os dias de hoje, com tijoleiras no chão e outras a anunciarem para breve a sua queda. As bocas-de-incêndio exteriores não têm mangueiras; o espaço destinado aos táxis não tem placas identificativas com o respectivo número e as passadeiras quase deixaram de ser ver, como que a rogarem nova pintura.

Lá dentro, o cenário ganha proporções de maior gravidade. Não existem papeleiras em quantidade suficiente, as grafites inundam tudo que é parede ou superfície coberta de azulejos, com inscrições obscenas; os sanitários individuais já não têm portas (!); um dos telefones – o que está colocado no exterior da sala de espera – foi roubado e quando o café encerra portas, normalmente pelas 22 horas, não há como fazer uma chamada de emergência; a qualidade do som para veicular as informações indispensáveis ao regular funcionamento daquele Centro Coordenador é miserável; os cais/terminais para os autocarros estão deficientemente sinalizados; os autocarros que ali permanecem à noite têm sido frequentemente vandalizados, algo que aconselharia a contratação de um guarda-nocturno, já para não falar na última “gracinha” que constou de os “amigos da brincadeira” terem arranjado modo de chegar ao relógio central e retirarem o vidro e os ponteiros, deixando apenas a carcaça do inocente para recordação de algo que, uma vez, existiu.

Em face deste relato necessariamente breve, e porque este mal-estar feito de preocupação pode não ter chegado aos serviços camarários por ali não haver, por exemplo, um Livro de Reclamações ou uma mera Caixa de Sugestões, aqui fica o alerta, esperando-se que a Câmara Municipal estime, neste como noutros casos, o seu património pois há benfeitorias que não requerem grande investimento, apenas uma optimização racional dos diversos recursos disponíveis, até em armazém. Bem sabemos que não se pode fazer tudo de uma vez pelo que se impõe estabelecer uma lista de “pequenas grandes coisas” que só abonarão em favor daqueles que, (re)conhecendo os problemas, procuram, de forma metódica, resolvê-los paulatinamente. É uma questão, numa primeira instância, de profissionalismo, mas também de brio e carinho para com equipamentos públicos absolutamente relevantes.

Muitos só aqui estiveram, ou pelo menos só por aqui passaram, devido ao Centro Coordenador de Transportes. Foi um cartão-de-visita que levaram nas suas bagagens. A questão que nos devemos colocar a todos é: será este tipo de “souvenirs” que temos para oferecer a quem por Albergaria passa, ou saberemos ter algo de melhor para apresentar?

 

NOTA: Três autocarros arderam no Centro Coordenador de Transportes por volta das 5.00 horas da madrugada do passado dia 28 de Agosto. As viaturas estacionadas naquele centro de camionagem ficaram totalmente destruídas, aguardando-se no momento pelo resultado das diligências da PJ.

Curiosamente, em Junho passado, com fotos bem elucidativas, o “Jornal de Albergaria” e o semanário "Região de Águeda" denunciaram o estado a que estava, há muito, votada aquela importante infra-estrutura, aberta ao público em 1989. Nessa peça, entre outros defeitos e sintomas de degradação, assinalámos: “O aspecto exterior, conspurcado com grafites, ilustra uma deterioração relativamente inaceitável para os dias de hoje, com tijoleiras no chão e outras a anunciarem para breve a sua queda. As bocas-de-incêndio exteriores não têm mangueiras; o espaço destinado aos táxis não tem placas identificativas com o respectivo número e as passadeiras quase deixaram de ser ver, como que a rogarem nova pintura.”, lembrando “(…) os sanitários individuais já não têm portas (!); um dos telefones – o que está colocado no exterior da sala de espera – foi roubado e quando o café encerra portas, normalmente pelas 22 horas, não há como fazer uma chamada de emergência; a qualidade do som para veicular as informações indispensáveis ao regular funcionamento daquele Centro Coordenador é miserável; os cais/terminais para os autocarros estão deficientemente sinalizados; os autocarros que ali permanecem à noite têm sido frequentemente vandalizados, algo que aconselharia a contratação de um guarda-nocturno(…)”. Eis que o pior entretanto aconteceu.

 José Manuel Alho

 

 

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