BOMBA no alinhamento das autárquicas em Albergaria

 Agostinho pode


estar de saída


 

Quando tudo apontava, numa lógica de previsível continuidade, para a última recandidatura a novo mandato, João Agostinho Pereira, o actual presidente da edilidade, apresta-se para antecipar-se à estrutura concelhia do seu partido fazendo prevalecer a sua vontade em detrimento do plano estratégico do PSD/Albergaria. Isto é, o edil está seriamente tentado a dar por concluída a sua passagem pela Câmara Municipal de Albergaria.

Em rigor, João Agostinho Pereira, pressentiNdo que o apoio em seu redor terá deixado de ser tão abrangente quanto o verificado, por exemplo, aquando da sua primeira corrida eleitoral, aliado a um desgaste político inesperadamente acelerado – em particular na sede do Concelho – não quer sujeitar-se a um cenário porventura fragilizante, que não dominará em todas as suas cambiantes. Nas últimas semanas, fomos cruzando informação oriunda de personalidades históricas do PSD albergariense que são unânimes em considerar algum mal-estar causado pela acção política de Agostinho no actual mandato, que terá – no entender daqueles – menosprezado investimentos e projectos para a freguesia de Albergaria, apostando excessivamente na discriminação positiva de algumas freguesias, a que se juntará uma inusitada hostilização de alguns sectores da vida cultural e associativa albergariense. Por tudo isto, há no PSD local quem conclua pelo “esgotamento político” do autarca que também já presidiu à Junta de Freguesia de Alquerubim.

Ao que parece, são igualmente longínquos os tempos de intensa cumplicidade entre João Agostinho e Torres e Menezes, o popular presidente da Junta de Freguesia de Albergaria. Progressivamente agastado com algumas opções e decisões do seu par político, Menezes tem sido discreto no ainda assim indisfarçável distanciamento à acção política do edil. Curiosa é a definição convergente de como algumas fontes próximas de ambos os lados definirão o actual estado das relações entre aqueles dois presidentes:”institucionalmente cordial”.

No mais, Agostinho enfrentará um clima de guerrilha surda na esfera do seu gabinete, numa atmosfera de paz tensa onde coexistirão temperamentos difíceis de compatibilizar, mormente em algumas valências dos serviços sociais. Este ambiente tem feito as suas mossas e apesar de não “matar”, terá vindo a moer e a corroer politicamente aquele edil, para quem algumas dos conflitos intestinos que se terão sucedido nos últimos tempos terão ajudado a esgotar a sua paciência para o que considerará de “estupidamente acessório”.

 

Licínio Pimenta pode ser a alternativa

Se bem que a provável nega de Agostinho a novo mandato não signifique necessariamente o abandono da vida política, há considerável tempo que se vem especulando sobre quem sucederá ao actual autarca. Flausino José da Silva poderia ser sempre uma solução viável mas o próprio não se sentirá especialmente motivado para novas empreitadas eleitorais. Laerte Macedo Pinto, que viu e viveu muito na Câmara, auto-exluir-se-á amavelmente de “maiores incómodos”. Torres e Menezes não quer “dar o salto”. Sobrará José Licínio Pimenta a quem tudo tem corrido bem na sua jovem carreira política. Visto como uma alternativa consistente – por ser jovem, por ter uma visão cosmopolita das coisas e por ser natural da sede do Concelho – Pimenta encaixaria que nem uma luva nas brechas entretanto abertas por João Agostinho, atestando a capacidade do PSD/Albergaria para se reconciliar com parte do seu eleitorado. Sabemos que o próprio é conhecedor desta possibilidade e que depois de confrontado com este cenário, resguardou-se prudentemente num silêncio interessado até porque não quererá entretanto ser acusado de deslealdade para com o actual presidente, afastando-se assim de qualquer mácula que possa afectar o seu futuro próximo.

As informações ora divulgadas foram prévia e minuciosamente cruzadas. É provável que venham a ser, no imediato, bem ao estilo de uma reacção instintiva, negadas. Não é tempo de “dar tiros nos pés”. Todos negarão o que sabem. Mas se as eleições fossem hoje, muito dificilmente o “cabeça de cartaz” pelo PSD seria João Agostinho Pereira.

Mas o mundo da política é extraordinariamente propenso a golpes de teatro. Neste caso, ainda que improváveis, são possíveis. Muito se esquece e pouco se lembra em madrugadas forradas com boas ementas ao sabor de uma enriquecida carta de vinhos. E depois, há as cobranças…

Mas isto, é claro, é só o Alho a falar...

JMA

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