Devido a artigos publicados no Jornal de Albergaria

 


Insultado e ameaçado



 A pretexto de alguns artigos por mim publicados no Jornal de Albergaria, fui insultado por uma alma absolutamente perdida, desesperada e atormentada pelo pânico de ser criticada. “Tem muito cuidadinho com o que escreves! Muito cuidadinho mesmo. Olha para a tua filha. Ela é ainda muito pequena. Lembra-te que és muito novo e que a tens de criar…”. Seguiram-se outros insultos, numa cólera desbragada, que se finou com uma tirada esclerosada “sempre soube que escrevias de encomenda para aquele jornaleco de merda!”

De facto, nada como um super ego para insultar. Na verdade, o insulto não deixa dúvida sobre o seu alvo. Até me sinto importante. De igual modo, a ameaça, mais do que atestar, no autor, a existência de traços de personalidade assentes na pulhice e na canalhice, visa condicionar quem porventura atrapalha(rá).

Que se desenganem. Persistirei fiel aos meus princípios e valores. Estou à margem de interesses organizados, fora dos corredores onde se distribuirão benesses e favores que muitas vezes hipotecam as mais elementares liberdades individuais. A minha eventual valia residirá somente nas minhas ideias. A minha única arma é a palavra. Não me demitirei pois de pensar pela minha cabeça. Quanto à “encomenda” – único esquema segundo o qual alguns parecem conhecer e até funcionar – cumpre notar que a mesma pressupõe um pagamento. No meu caso, informo, em jeito de esclarecimento, que a colaboração que mantenho com alguns jornais é integralmente graciosa. A custo zero. Bem sei que alguns circuitos neurológicos, formatados para o “toma lá - dá cá”puro e duro, terão óbvias dificuldades em aceitar esta evidência. Mas é a mais pura verdade.

Preocupa-me, contudo, esta inusitada investida sobre quem dá a sua opinião sobre a coisa pública em Albergaria-a-Velha. De facto, não somos muitos. Aparentemente, haverá quem se disponha tornar o território da opinião livre como se de uma favela brasileira, tomada por mafiosos, se tratasse. Do género: quem não reproduz a realidade anunciada por alguns ou a verdade imposta por determinada propaganda, arriscar-se-á talvez a levar uma sova, uma tareia, uma coça das boas. E, ao que parece, até valerá ameaçar meninas inocentes de 8 anos de idade.

São tempos perigosos, a que devemos – nós, a população residente neste singular Concelho – prestar muita atenção. Muitas vezes, sob a capa de uma podre normalidade, o que temos por adquirido já poderá estar a ser alvo de deturpações, adulterações ou até mesmo de outras invectivas, patrocinadas, se calhar, por gente de tez mui respeitável. Poderá existir o risco de um dia destes acabarmos amordaçados pelo MEDO de ameaças de retaliação, seja ela física, moral, social ou até mesmo patrimonial.

Há quem pareça defender que o povo não deve saber de tudo. Haverá assuntos que só dirão respeito a alguns. “São assuntos muito complexos” – afiançam. Como se as populações fossem desprovidas da capacidade intelectual para discernir sobre o essencial de cada assunto ou não detivessem a maturidade cívica bastante para dar um contributo válido à “res publica”. Estejamos atentos. Parece haver quem esteja disposto a tudo para manter intacta a sua quinta de interesses, habitualmente inconfessáveis.

 A liberdade da imprensa regional é um bem das sociedades civilizadas que, por natureza, exige mobilização constante, vigilância permanente e firme posicionamento diante de fatos que representem ameaça ou que efectivamente a atinjam.



A defesa da liberdade de imprensa certamente contribui para o fortalecimento das instituições democráticas. Esse é um trabalho incessante em favor da sociedade, sobretudo, que por ter direito constitucional à informação, deve defender a imprensa livre e repudiar veementemente quaisquer actos praticados contra profissionais e veículos de comunicação social locais.

Estes casos servem também para relembrar a todos o quão importante é proteger o direito fundamental da pessoa humana que é a liberdade de expressão, direito este inscrito no artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Sabe o prezado visitante que os jornais muito contribuem para os processos de responsabilização, de reconstrução e de reconciliação. Cada agressão contra um jornalista constitui um ataque contra as nossas liberdades mais fundamentais.

A liberdade de expressão, sobretudo sobre política e questões públicas, é o suporte vital de qualquer democracia. Os executivos democráticos não controlam o conteúdo da maior parte dos discursos escritos ou verbais. Assim, geralmente as democracias têm muitas vozes exprimindo ideias e opiniões diferentes e até contrárias. Precisamente porque a diversidade enriquece a democracia.

Por tudo isto, a democracia depende de uma sociedade civil educada e bem informada cujo acesso à informação lhe permite participar, tão plenamente quanto possível, na vida pública da sua terra e criticar funcionários do governo/autarquias ou políticas insensatas e tirânicas. Os cidadãos e os seus representantes eleitos deverão reconhecer que a democracia dependerá grandemente do acesso mais amplo possível a ideias, dados e opiniões não sujeitos a censura. De nada vale insultar ou ameaçar quem pensa de maneira diversa, quem crítica e denuncia situações susceptíveis de reparo.

Esta é uma batalha de todos para todos os dias. E nesta batalha, EU FICO.

José Manuel Alho

 

 NOTAS FINAIS:

 Movimento Cívico do Sobreiro: O artigo por mim publicado, na passada edição, inserto na página 3, intitulado “Traçado proposto para o IC2/A32 gera polémica – população do Sobreiro com dúvidas sobre nova auto-estrada”, acaba por ser um paradigma do que pode e deve ser a participação cívica dos cidadãos em luta pelos seus legítimos interesses. Os movimentos cívicos, animados e criados fora da esfera político-partidária, revestem-se de um valor acrescido e, no caso da nossa vila, não deixa de ser uma saudável pedrada no charco.

Torres e Menezes: Têm chegado ao meu conhecimento relatos de vida absolutamente notáveis que confirmam no actual Presidente da Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha uma sensibilidade humana extraordinariamente apurada, que faz dele – e muito justamente – um fenómeno de popularidade. É um autarca de nobre dimensão, com uma actuação a servir de inspiração a qualquer político. É invejado, mas é o preço de quem é ostensivamente competente. Muitos se agarrarão a Torres e Menezes na tosca esperança de se colarem aos seus méritos, como que buscando a chucha maternal da salvação.

José Licínio Pimenta: Ouvi-lo falar dos projectos e das opções que tomou é um tratado de motivação mesclada com arrojo dinâmico. Desde os empreendimentos planificados, passando pela plataforma online para as AEC’s do 1.º Ciclo, até ao projecto dos quadros interactivos para as turmas do 4.º ano, todo ele é ambição. Ao menos, em matéria de Educação, o Concelho está muitos furos acima se comparado com outros congéneres vizinhos. Licínio Pimenta está subaproveitado. Faria mais e melhor em outras funções. Principalmente, porque nunca aceitará ser um folacho manso, daqueles que não riscam nada e que só se prestarão a desempenhos decorativos.

 

Comentários