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Manuel Alegre em grande forma
à espera de ser persuadido
Numa entrevista política e intelectualmente estimulante, Manuel Alegre assumiu ontem estar somente hipotecado às suas ideias e convicções "de esquerda".
Usando de coerência, reconheceu que «o partido pode deixar de ter a sua razão de ser quando se afasta da sua base social. Não é a primeira vez que isso acontece» , alertando para o óbvio: «Há uma coisa dramática. É que há muita gente que não tem, não sabe, em quem votar»
Teve um desempenho assaz esclarecido, revelando estar longe do autismo do seu partido a propósito do qual lamentou "a existência de alguns que pensam fazer do PS um força política sem ideias". Para ele, nesta organização camuflada de Partido Socialista, o problema é a «falta de debate ideológico» e a «crise de identidade» do partido. «Há muita gente que entrou para o PS que não sabe o que é ser socialista», acusou. A esses militantes «falta formação e cultura para ser de esquerda».
Ontem, houve um grande momento de lucidez e responsabilidade políticas. Manuel Alegre professou, de forma séria, a sua matriz ideológica. Em face de um PS actualmente descaracterizado e desmobilizado por um poder que parece secar as suas raizes, onde os funcionários públicos se tornaram símbolos de uma resistência heróica, só resta ao eleitorado persistir até convencer o "deputado poeta" a protagonizar a tal vaga de mudança que recupere o essencial de uma pátria inusitadamente estrangulada.
JMA
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