Cartão de eleitor por pontos? Para já e em força!

 


Eleitores têm os políticos que merecem



 


Ouvi há bem pouco tempo a fabulástica proposta de os prezados concidadãos terem um cartão de eleitor por pontos. Concordo. Por mim, nem valia a pena realizar um referendo. Cartão de eleitor por pontos? Para já e em força!

Em boa verdade, parece haver quem por aí aparente ter o dito cartão como se de um prémio do há muito emblemático detergente JUÁ se tratasse. Simplesmente, degradante. É que estes sujeitos são excepcionalmente propensos a manobras perigosas. Diria mais: muito perigosas.

No papel do legislador, desenharia a seguinte moldura legal: em caso de 5 infracções GRAVES, isto é, votar alternadamente só no PS ou no PSD, o cidadão estaria inibido de votar nas duas eleições imediatamente subsequentes. Tratando-se de três infracções MUITO GRAVES, isto é, ter votado exclusiva e consecutivamente ou no PS ou no PSD, proceder-se-ia à cassação automática do cartão de eleitor. As consequências dos actos destes indivíduos na sinistralidade nacional que todos enfrentamos (sentimos), têm de ser combatidas com tolerância zero. Não há país que aguente. Temos de pôr mão nisto. Chega a ganhar contornos de imperativo nacional.

Com efeito, acabamos por ter não só os políticos que elegemos mas também os que merecemos, tão reiteradas serão as nossas manifestações de ingenuidade. Vivemos o tempo em que os decisores políticos já ultrapassaram o mero “esquecimento” das promessas feitas em período eleitoral. Não. Agora é o tempo em que os responsáveis deste país aparentam ousar fazer o inverso do que prometeram.

Numa entrevista recente do nosso Primeiro, escutei, siderado, a ambição de ter (novamente) uma maioria absoluta. Houvesse humildade e até uma ponta de realismo...

É como se antes de uma noite amorosa, proclamássemos ao mundo que queremos bom sexo. Não é possível. Não é coisa que se peça. Depende. Está fora (só) da nossa vontade. Não é realista como não é pragmático ir além de um pedido de triunfo eleitoral. Vencer deveria bastar. Mas não. Pretende-se uma vitória absoluta.

A confiança, a roçar quiçá o deslumbramento sobranceiro, dá nisto. O povo habituou mal estes políticos carreiristas. Basta pedir e… zás!

Eu também gostava de pedir melhor remuneração e de ter obrigações fiscais simbólicas. Mas não o faço nesta conjuntura. Não seria humilde e realista da minha parte. De igual modo, quando se mente ao ponto de fazer o inverso do que se prometeu, cumpriria usar de – vá lá… - um moderado bom senso.

Se calhar, te(re)mos mesmo os políticos que merecemos e que tão mal habituámos.

Mas isto é só o Zé a falar…

José Manuel Alho

 

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