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Carta Aberta a Mário Rui
- Presidente da CAP
Caro Mário,
Animado por muitas solicitações que me têm chegado das mais
diversas formas por aqueles que ainda recearão genuinamente dizer o que pensam – fruto de um tempo de horrores psicológicos infligidos alegadamente (só) por quem sabia estar numa posição de força – aceito, pela segunda vez na vida, apoiar publicamente alguém que sei merecedor do meu incondicional apoio.
Venho dizer-te que desejo a tua candidatura – e consequente vitória – ao próximo processo concursal para Director do Agrupamento de Escolas das freguesias do Pinheiro da Bemposta, Palmaz e Travanca.
Na verdade, cumpre recordar que, em tempo oportuno, e quando convidado a dar o meu entendimento sobre quem poderia liderar o nosso Agrupamento em momento tão delicado, presumindo que de mim poderiam escutar algo de consequente, apenas enfatizei a necessidade de ser alguém exterior à realidade então vigente. Precisei um perfil que correspondia a um conjunto de competências que, ontem como hoje, reputo de imprescindíveis a quem assegura a real prossecução do interesse público na Educação.
Vieste tu. Vieste e a todos tocaste com o poderoso instituto da palavra. Simples, acessível, de fácil trato, deste um “banho” de humildade. Sente-se que és um homem do mundo, liberto de motivações inconfessáveis e apenas implicado com o lado nobre do Ensino. Sem reservas morais ou outros preconceitos de quem se comportará em função do ouvido, a tua modéstia obrigou-me a reflectir. De facto, és dos poucos que consegue alcançar alguém com o olhar, com um gesto generosamente imprevisto ou com aquela tranquilidade de quem há muito saberá que a vida é muito mais do que isto e – muitas vezes – não será nada disto.
Não fomentaste “caças às bruxas” nem patrocinaste a previsível maledicência dos que (afinal) não descortinaram a real gravidade da situação. Reconheceste lideranças, pressentiste a urgente necessidade de acomodar a massa crítica do Agrupamento e encetaste uma regeneração que todos sabemos morosa, problemática e absorvente. E tudo isto sem gerar anticorpos ou instigar expedientes de hostilização mais ou menos velados. Tratou-se de uma ruptura serena.
Exerço funções docentes neste Agrupamento há uns anitos. Na verdade, há mais de uma década. Só não estive no tempo da sua instalação. Pertenço a uma casta em progressiva extinção. Apesar disso ou mesmo por isso, sinto ser meu dever posicionar-me. Tenho esta mania de ser leal com as minhas convicções e sentimentos. Algumas vezes, perdi e sofri violentamente com esta apetência inscrita no meu ADN. Mas não sei viver de outra forma. Prova disto é que, perante tudo a que fui sujeito, não desertei. Desertar não era opção. Não seria leal. Valeu a pena ficar ainda que num contexto que me pareceu de ostensiva degradação generalizada.
Curiosamente, a tua permanência é agora igualmente importante para que não regressemos ao tempo da “má contabilidade”. O momento é sério e poderosamente grave. Para os menos atentos, é bem possível que este Agrupamento, tal qual o conhecemos na actualidade, possa estar perante a derradeira oportunidade para se reabilitar sob pena de ser afectado a outra organização de escolas já existente. Regressar ao passado não pode sequer aceitar-se como cenário sonhado em noite de suado pesadelo. O Agrupamento tem de reencontrar(-se) os caminhos do futuro.
Por seres bom e competente, tens projectos que te esperam. Em boa verdade, os projectos aguardam-nos. Os desafios enfrentam-se; não se adiam. Estás assim convocado para um estimulante desafio que só te enobrecerá. Cuidarás somente do interesse público. O repto que nesta fase da vida te é lançado é integralmente nobre. Aqui, recusar também não é opção.
Os funcionários, os professores, as associações de pais e demais agentes educativos da comunidade estão agora a experimentar os benefícios deste ar puro que a todos contagia, espicaçando o que de melhor existe em cada um. Criou-se e expandiu-se este capital de ESPERANÇA num futuro (bem) melhor. Acentuou-se a CONFIANÇA na premissa fundamental de que é sempre possível (re)começar. Existe uma imparável atmosfera de fé no AMANHÃ.
Expurgados os exageros que resultam da óbvia impossibilidade de comparar o incomparável, estás para este Agrupamento como Obama estará para os EUA. Hoje por hoje, és, por ti, uma garantia de um futuro auspicioso. Os rastilhos para novos tempos de alvoroço e conflitualidade não estão extintos. Estarão, quando muito, sob controlo feito de expectativa armada. És preciso. E essa evidência, longe de ser um fardo, é uma manifestação de raro reconhecimento que impõe uma resposta afirmativa.
De mim, terás sempre esta solidariedade esclarecida, determinada e fraterna. De nós, poderás sempre esperar empenho e comprometimento. Não nos falhes quando mais precisamos de ti para que TODOS sintamos, numa destas manhãs, após os padecimentos passados, aquela irreprimível vontade de viver que nos confirme que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.
Aquele abraço,
JMALHO.
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