Mais do que nunca, é premente a crítica serena, fundamentada e reflectida, que só o recato descomprometido consente e proporciona.
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Poder corrompe.
Poder absoluto
corrompe absolutamente.
Muitos conhecem o famoso ditado "o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente", mas poucos
conhecem mais sobre as ideias do seu autor, o historiador católico e liberal John E. E. Dalberg Acton, que contextualizou o assunto da seguinte forma: “ O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente. Grandes homens são, quase sempre, maus." (SIC)
Exorto o prezado leitor a fazer o seguinte exercício: imagine que os actuais decisores políticos que conhece(mos) usufruíram de um processo de formação assente no bom carácter. Impõe-se então saber: será que as pessoas perderão inevitavelmente sua virtude quando conquistarem o poder? Ou será que já a
terão perdido antes de conquistá-lo? Ou será que só o conquistarão porque a perderam? Será que os virtuosos que conquistam o poder, por continuarem virtuosos, permanecerão mais tempo no poder e serão lembrados como heróis?
Em rigor, não é uma reflexão fácil que se encerre em 42 nanossegundos.
Além disso, se se tratar de indivíduos altamente predadores (vulgo, competitivos), e voláteis nas suas posições, as dificuldades para manter uma determinada linha de actuação, assevera-se, serão imensas. Isto é válido nas
organizações públicas como nas privadas. Por cá, há muito que nos habituámos a que a oposição seja recordista de pedidos de Comissões de Inquérito contra a corrupção; porém, chegada ao inebriante Olimpo do governo, pouco se esforça para que uma seja formada - usando até as mesmas artimanhas que antes criticava.
Nietzsche dizia que para algo parecer verdade bastará ser imposto e repetido. Repetir é o segredo quando queremos que alguém acredite. Assim fazem os mentirosos, os pregadores, os políticos - que de políticos, afinal, nada terão - mas que se pavoneiam sob a capa de especialistas n(d)o embuste. Qualquer um que queira fazer a sua visão prevalecer deverá, ao que parece, ser hábil em repetir a própria ideia e jamais mostrar que, ele mesmo, não acredita no que diz.
Num tempo em que a coisa pública foi tão gravemente desacreditada, ainda não atingimos o CAOS. Apenas um aperitivo do que pode vir se não invertermos democraticamente o rumo dos acontecimentos.
Em momentos excepcionais, precisamos de medidas excepcionais tomadas por homens e mulheres excepcionais. Infelizmente, na actualidade, só temos os momentos excepcionais...
José Manuel Alho
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