25 de Abril de 1974 - II

 Ainda a tempo de reinventar


o 25 de Abril


ou já é tempo de fundarmos


o 26 de Abril?



 


Trinta e cinco anos depois da Revolução de Abril, há mais dois milhões de portugueses. Apesar de terem menos filhos, vivem mais tempo, e a chegada dos imigrantes ajudou a população a crescer. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 1970 existiam 8,6 milhões de portugueses. Em 2007 esse número tinha aumentado para 10,6 milhões.

Apesar do aumento populacional, actualmente há menos crianças até aos 10 anos do que havia em 1970 (cerca de um milhão, contra 1,6 milhões, respectivamente).

E aqui residirá o sintoma maior de uma pátria encurralada pela acção de gerações de políticos que, à data de Abril de 2009, expõem Portugal às fundadas brumas do incerto.

Passou tempo suficiente para não subsistirmos nesta impune indefinição de um nobre Povo que, sendo valente e dado heróis ao Mundo, merecia experimentar rasgados esplendores de prosperidade.

Acomodámo-nos e permitimo-nos entorpecer por sucessivas castas de incompetentes animados pelo oportunismo e pela incapacidade de servirem o bem público. A miséria recrudesce, o desemprego e outros males sociais arrasam, sem apelo nem agravo, uma sociedade alheada. Fomos tomados pelo fatalismo com insustentável conformismo.

Perante o descrédito a que foi votada a coisa pública, passámos a aceitar o escândalo mais sórdido com a complacência de quem reconhece “se estivesse lá outro, faria igual…”

A nobreza de carácter nem lembrada é. As nossas crianças e jovens, sujeitos a experimentalismos sem fim, crescem coxos de mais e melhor formação à custa de uma tonta necessidade de tudo facilitar e desculpar. Cultura de exigência só para justificar sacrifícios perante novas subidas de impostos ou taxas. O Povo apalermou-se e já nem é levado a sério pelos governantes que elegeu.

A Saúde, a Educação, a Justiça, a Defesa e a Economia nacionais tiveram afinal o progresso expectável ao fim de (mais) 35 anos de vida?

Os nossos velhos não vêem exponenciado o seu capital de sabedoria em favor da colectividade; a Família, enquanto célula basilar e estruturante de uma sociedade mais humanizada, não foi devidamente acarinhada; as relações laborais conheceram uma séria regressão; os nossos presos não têm equipamentos estruturais nem recursos humanos vocacionados para uma verdadeira reabilitação que os torne mais-valias entre iguais e a Solidariedade foi tomada de assalto pelos eleitos para se escusarem das suas responsabilidades de decisores políticos.


Os diferentes níveis de autoridade – mafiosamente conotados com autoritarismo – foram gravemente afectados por quem precisamente deveria zelar pela sua integral preservação. Falta o civismo, a tolerância e a responsabilidade que 35 anos de Liberdade deveriam ter significado numa pátria supostamente entregue ao melhor dos seus melhores.

Em razão desta irrenunciável encruzilhada patriótica, cumpre saber: vamos ainda a tempo de reinventar o 25 de Abril ou já é tempo de fundarmos o 26 de Abril?

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