Por opção própria, oportuna e longamente amadurecida, dou por concluído o projecto que me propus realizar na EB 1 do Curval
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Escola do Curval
- até um dia destes!
Venho por este meio informar que, por opção própria oportuna e longamente amadurecida, dou por concluído o projecto que me propus realizar na EB 1 do Curval - Pinheiro da Bemposta (Oliveira de Azeméis).
Em boa verdade, trata-se de reconhecer que chegou ao fim um ciclo recheado de marcos extraordinariamente marcantes, vividos com intensa e partilhada dedicação. Momentos que -arriscaria - assinalam de modo singular, para não dizer histórico, a minha carreira profissional. Em tudo na vida, mais do que saber entrar, é decisivo sabermos sair. Passamos pelas instituições como passamos pelo Serviço Público: para SERVIR.
Não levamos nada para casa ao não ser o fundado orgulho de provarmos termos sido capazes de fazer a diferença e de termos contribuído para transformações ousadas, que cimentarão nosso legado por tempo suficiente ao ponto de não sermos esquecidos pela História ou pela Memória.
Era imperioso escolher um momento alto para sair, quando tudo está em alta. E assim será. Agradeço a DEUS por isso.
Mosaicos de uma memória que lança o futuro
Ainda hoje me lembraram o quão gozado fui por ter, em vários fora, assumido o desiderato de ampliar a escola pois sabia ser este o primeiro passo para o lugar do Curval vir a possuir um Centro Escolar. Foi o escárnio total, animado quiçá por uma certa inveja há muito instalada, que sempre nos motivou nos momentos de provação.
Em Setembro próximo, mais do que inaugurar o que resta(va) construir do Centro Escolar - uma infra-estrutura única, absolutamente modelar a nível nacional - será igualmente aberta ao público a reabilitação de que entretanto serão alvo as quatro salas de aula afectas à EB1. Eis a cereja no topo do bolo. Uma escola integralmente nova ao fim de 33 anos!
Como sempre afiancei, nada se faz ou se alcança sozinho. Por isso, a minha sentida gratidão para muitos e muitos parceiros que em nós reconheceram credibilidade e nos dispensaram o seu apoio incondicional:
- Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis;
- Junta de Freguesia do Pinheiro da Bemposta;
- Associação de Pais da EB 1 do Curval (APEBC);
- Associação de Pais do n/ Agrupamento de Escolas;
- DREN;
- Anterior CAE de Entre Douro e Vouga;
- Imprensa local e regional;
- Comunidade local;
- Colegas, funcionários e outros parceiros do Agrupamento de Escolas das freguesias do Pinheiro da Bemposta, Palmaz e Travanca.
Na oportunidade - mas não menos importante - o meu agradecimento, cuja autenticidade e dimensão não comportará palavras suficientes para o descrever cabalmente, para as pessoas do Curval. Fui acarinhado, motivado e tratado como um dos seus. Desde cedo uma estranha e fácil cumplicidade se cimentou entre nós, que ninguém logrou destruir. Como foi grande a honra de ser apresentado ou referenciado como "o professor do Curval"! Em rigor, vivi anos d'ouro no que ao meu enriquecimento profissional, social e humano diz respeito. Encontrámos quatro salas de aula e duas casas de banho. Nem uma arrecadação para amostra!
E tudo começou…
Começámos com o refeitório a que se seguiu o OTL. Fundou-se a Associação de Pais e aplicámos duas obras de autor por meio de dois painéis de azulejo, honrando um património reconhecidamente lusitano. Acabamos com sete enormes espaços lectivos, espaços amplos e acessos vários para concidadãos portadores de deficiência motora. Dois campos desportivos: um sintético para a prática do FutSal e outro para o Voleibol e Basquetebol. Participámos em projectos únicos. Por duas vezes, estivemos na Assembleia da República com os nossos eleitos regionais. Dinamizámos o nosso jornal escolar “O ABELHINHA” e o website que tantas menções elogiosas tem arrecadado. Fomos a primeira EB1 do Concelho de Oliveira de Azeméis a ter todas as suas salas ligadas em rede à Internet.
Principalmente e ao fim de duas tentativas – onde sempre tivemos por aliado privilegiado a edilidade – conseguimos abrir uma sala para o Ensino Pré-Escolar. Para o efeito, juntos, não regateámos esforços ou energias e persistimos com inquéritos na Igreja Matriz, no final das missas, nos cafés, nas colectividades, na Junta de Freguesia… Apesar dos esforços de alguns, soubemos manter as quatro turmas. Com muitos, fortalecemos uma solidariedade próxima, só ao alcance de quem vive e passa por muito em visceral harmonia.
Os objectivos e os projectos da escola foram, desde o início, os objectivos e os projectos da sua comunidade educativa, E nesta comunhão indestrutível – para espanto dos que desabafavam com dislates do género “não sei o que aquela gente viu nele!...” – esteve o segredo dos nossos sucessos.
Esta empatia fez de nós uma família.
Outros agradecimentos
Não queria esquecer a relevância e a qualidade do trabalho desenvolvido por muitos colegas que comigo trabalharam nestes anos. De igual modo, por ser da mais elementar justiça, aqui deixo o justo reconhecimento à Professora Manuela Rodrigues – que bem poderia ter sido a Coordenadora da EB 1 do Curval – pela sua entrega, energia, sabedoria e ambição. É uma profissional rara, de atributos invulgares.
Ninguém é insubstituível pelo que atrás de nós virá quem (muito) melhor fará.
Sobre o Agrupamento
Por fim, uma palavra para o Agrupamento de Escolas enquanto organização no serviço público de educação. Gratidão. Só pode ser este o sentimento quando, em onze anos, se exerceu importantes funções (Conselho Pedagógico, Presidência do Conselho de Docentes, Assembleia de Escola, Comissão Especializada de Avaliação e Coordenação de Estabelecimento de Ensino) com total entrega e comprometimento. E as amizades que se ganharam?!...
Preciso agora de novos estímulos. Necessito de novos desafios. Às tantas, tendemos a cristalizar modos de abordar os problemas e acabamos por descortinar as soluções de sempre. É o primeiro passo para o acomodamento, para a falência da autocrítica, enfim, para desbaratarmos o pasmo essencial que nos impele a fazer mais, melhor e diferente.
Quero voltar a pôr-me à prova como quem sente ser imprescindível testar os seus limites. Os caminhos que poderão estar a ser traçados para o futuro do Agrupamento parecem credores da maior preocupação e apreensão. É urgente uma mudança de paradigmas que tolere a diferença de opinião em vez de a estigmatizar como se alguém temesse – com pavor de morte – perder o seu lugar na valsinha das cadeiras. Mais transparência, maior lisura de procedimentos, mais lealdade, enfim, tudo que contribua para o prestigio consistente de todos os agentes educativos. Cumulativamente, reconheço, importará esperar por uma alteração geracional que só ajudará a uma mudança realmente transformadora, há muito desejada.
No mais, espero – porque ainda sou um jovem de 35 anos… - poder voltar a servir este Agrupamento, com igual ou maior dedicação. Apesar deste defeito incurável, já diagnosticado pelo meu médico como “VPMPSA” (vulgo, “Você Pensa Muito Pela Sua Cabeça”), prefiro ainda assim morrer com as minhas convicções e valores do que com as certezas e os princípios dos outros.
Em resumo, e com esta disponibilidade, vou andar (mesmo) por aí…
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