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Sherlock Holmes
- esse génio do elementar!
A RTP exibe, desde há semanas, no seu canal Memória, espaço "Séries a Sério", a temporada integral da série “Sherlock Holmes”, feita durante uma década (1984/1994), produzida pela Granada Television e adaptada por John Hawkesworth, da obra original criada por Sir Arthur Conan Doyle. Para os menos conhecedores, aqui fica a nota complementar de que Sherlock Holmes é um personagem de ficção da literatura britânica; um investigador do final do século XIX e início do século XX que ficou famoso por utilizar, na resolução dos seus mistérios, o método científico e a lógica dedutiva.
Trata-se de uma série interpretada por Jeremy Brett (Warwickshire, 3 de Novembro, 1933 – Londres, 12 de Setembro, 1995). Em rigor, não passa de um
nome artístico devido ao descrédito que o pai desta personalidade sentiu ao saber que ele ia seguir a carreira de actor, não querendo prosseguir a vida militar que era tradição na família. Na verdade, este actor de fina qualidade dava pelo nome de Peter William Huggins. No alvor da minha adolescência, devo confessar o fascínio justamente sentido e exercido por este actor, que fez da personagem um acto de arte dificilmente igualável.
Convém dizer que Brett se revelou um "desastre académico" no Eton College, atribuindo as suas dificuldades de aprendizagem à dislexia. No entanto, tinha grandes capacidades vocais tornando-se membro do Coro do Colégio ao qual pertencia. Este actor, que interpretou um vasto número de clássicos, destacou-se em papéis de obras de William Shakespeare. Brett fez a sua primeira aparição televisiva em 1954 e um ano mais tarde no cinema. Em 1958, Jeremy Brett casou com a actriz, Ann Massey (filha de Raymond Massey), mas divorciaram-se em 1962 (tiveram um filho chamado David Huggins, nascido em 1959, sendo presentemente um argumentista com grande sucesso). Mais tarde, em 1976, Brett casou com a produtora americana da PBS, Joan Wilson, tendo esta morrido de cancro em 1985. Brett ficou destroçado pela morte precoce da consorte, o que fez com que ele nunca voltasse a contrair matrimónio. Desde o início (1960’s) até ao fim da sua carreira, Brett raramente esteve ausente dos ecrãs da televisão britânica. Notável em todos os seus desempenhos é a perfeita dicção, fruto de uma grande qualidade natural e de um treino intensivo, dando a Brett uma invejável pronúncia e vocalização. Ele declamava diariamente, estivesse em trabalho ou não, para que a sua dicção se mantivesse. Aliás, a sua extraordinária dicção ficou também a dever-se ao facto de ter sido operado enquanto jovem por não conseguir dizer os "R’s" e desde então que ficou conhecido pela sua singular pronúncia.
Brett apareceu em 42 episódios da Granada Series TV. Havia planos para filmar todos os episódios da obra original de Sir Doyle, mas Brett acabaria por morrer de uma falha cardíaca na sua casa em Londres antes de o projecto ter sido concluído. O coração de Brett foi lesado por um caso de febre reumática infantil, e ficou aparentemente mais frágil devido à grande quantidade de medicação que tomava para controlar o seu problema psicológico, e pela quantidade de cigarros e cachimbo que fumava diariamente - numa entrevista, Edward Hardwicke, o segundo Dr. Watson da série, disse que Brett comprava 60 cigarros todos os dias a caminho do estúdio e fumava-os a todos. De Jeremy Brett fica a chancela de um dos grandes actores que deu vida a Sherlock Holmes. Creio até que a personagem forjada por Sir Arthur Conan Doyle nos seus livros está muito mais fielmente representada por Brett do que por qualquer outro. Para memória histórica, ficarão para sempre os gestos desenhados no nada, os olhares enigmaticamente esgazeados, o humor refinado, a homossexualidade dissimulada e a imprevista dependência das drogas.
José Manuel Alho
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