Saída de Lobo Antunes do Conselho de Ética levanta grave questão de confiança pessoal e institucional

Tenham juízo!


 


A polémica surgiu com o afastamento do neurocirurgião João Lobo Antunes do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.


A comunicação social parece alimentar esta controvérsia ao esgrimir argumentos com o alegado recurso a fontes de Belém e de São Bento. Da Presidência da República garante-se que haveria um compromisso do Governo para nomear o médico para novo mandato ao ponto de a reacção de Cavaco Silva ser descrita como de profunda "perplexidade". A corroborar esta versão, estarão as declarações de Paulo Rangel, anterior líder parlamentar do PPD/PSD, que adiantou entretanto que "Lobo Antunes só não foi incluído na lista da Assembleia da República por que o PS me garantiu a sua nomeação", rematando "posso confirmar isso pessoalmente porque foi tratado por mim". (SIC) Também a deputada socialista Maria de Belém, em declarações à LUSA, confirmou ontem que Lobo Antunes só não foi incluído na lista de seis elementos designados pelo parlamento por que existiria a indicação de que seria o Governo a nomeá-lo.


Por seu turno, do gabinete de José Sócrates chegam desmentidos consecutivos, negando a existência de qualquer compromisso, apelidando o assunto de "pura intriga".


Em tudo isto está subjacente uma matéria de melindrosa gravidade. Este assunto - a que se somarão, a título de exemplo, os dossiês do Estatuto Político-Administrativo dos Açores e da novela em torno do suposto convite a Joana Amaral Dias, do BE - contende com valores centrais para o regular funcionamento de um regime democrático entre um Governo e um PR: seriedade, honestidade, confiança pessoal e institucional.


Haja a frontalidade para que, de modo formal, a opinião pública seja esclarecida cabalmente do que realmente se passou. O país, bem como a situação que atravessa, não se compadecem com guerras intestinas entre órgãos de soberania.


Está a acabar a mais longa legislatura da República portuguesa desde a instituição da democracia. Dela só parecem restar sinais preocupantes de uma inusitada imaturidade assente numa excessiva pessoalização de assuntos de estado, excepcionalmente atreita a caprichos e amuos.


Tenham juízo!


 

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