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Valerá a pena?
A poucos dias de novo acto eleitoral, confesso que, pela primeira vez desde que sou convocado a exercer tão nobre dever cívico, estou hesitante, para não dizer fortemente tentado, a ficar em casa.
A vida política nesta simpática vila é pobre, cinzenta e estafada. Não há debate nem uma cultura de confronto democrático. De quatro em quatro anos, é o frete do costume. Na verdade, este jogo parece ter "cartas marcadas".
Salvo uma ou outra excepção, as personalidades candidatas ostentam os apelidos do costume, numa dança das cadeiras pouco aliciante e prometedora. Os papás lá vão dando a vez às filhotas e aos primogénitos abençoados, enquanto os avós vão assegurando presença cirúrgica nos órgãos de decisão.
Pouco permeável a uma genuína renovação, as direcções concelhias dos partidos nacionais vão abrigando descamisados da vida profissional ou associativa. É tudo muito sofrível, a roçar uma mediocridade que impõe, sem grandes pruridos, a exclusão das verdadeiras elites intelectuais do concelho.
Por seu turno, as máquinas exibem armas e meios desiguais. Do poder, vem uma demonstração de força e poder propagandístico assinalável, bem longe do amadorismo generoso dos demais concorrentes.
O Povo, percebendo que atravessamos tempos de aperto, lá se vai contentando com esferográficas e saquinhos coloridos, a certificar um modo de pensar e fazer política perigosamente redutor. Lá no fundo, e após uma consulta ponderada dos programas, ressalta a evidência que esta fornada de (pseudo)autarcas não tem - porque nunca teve... - muito para oferecer à colectividade.
Afinal, valerá a pena votar? Em quem e no quê?
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