Importa recordar que, dos 24 ministros que desde 1974 detiveram a pasta da Educação, 18 foram professores universitários e outros 3, por exemplo, foram militares em regime de comissão de serviço na 5 de Outubro.
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Novo Governo n’UMA NOVA AVENTURA?
* Pela primeira vez, note-se, o país tem uma ministra da Educação que acumulou experiência no ensino Secundário.
Amanhã, dia 26, tomará posse o XVIII Governo que, ao contrário do vaticinado, tem uma forte componente técnica em detrimento de uma (mais) vincada dimensão política. Mais aberto a independentes do que propriamente à ala mais à esquerda do PS – note-se que oito ministérios foram
entregues a personalidades exteriores ao universo partidário – o novo elenco poderá reservar ainda outras surpresas se Sócrates sancionar uma genuína transformação ao nível das secretarias de Estado. Nesse caso, presume-se que o PM compense de algum modo o PS com a designação de alguns adjuntos com maior experiência política por forma a que se erradique a impressão de estarmos perante uma mera remodelação governamental.
No essencial, fica para já a ideia de se pretender amansar o clima de hostilização a algumas classes profissionais alimentado na última legislatura. Se bem que Ana Jorge tenha pacificado (apenas) o relacionamento com os médicos – as taxas moderadoras por internamento e cirurgia, pelo menos, ilustram uma política de óbvio derrube do Serviço Nacional de Saúde – Isabel Alçada na Educação, Alberto Martins na Justiça e António Serrano (natural do Concelho de Beja e até aqui presidente do Conselho de Administração do Hospital de Évora) na Agricultura poderão indiciar um esforço – ainda que circunstancial – de esbater muita da polémica de corroeu a imagem e a acção do anterior Governo de Sócrates.
Não olvidando o impagável Santos Silva, que passa do ataque – o tal que malhava… - para a Defesa, enfrentando em breve a discussão na Lei da Programação Militar que o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea já atacou, deter-me-ei – enquanto professor e encarregado de educação – nas expectativas em torno da nova Ministra da Educação. Importa recordar que, dos 24 ministros que desde 1974 lideraram a pasta da Educação, 18 foram e são professores universitários e outros três, por exemplo, foram militares quase em regime de comissão de serviço na 5 de Outubro. Pela primeira vez, note-se, o país tem uma ministra que acumulou experiência no ensino Secundário para aquela área tão sensível.
Antiga dirigente da FENPROF, foi estagiária (sem faltas) na EB
2/3 Fernando Pessoa, nos Olivais, alicerçando, à época com 26 anos, uma imagem de profissional “sensível”, “dialogante” e “simpática” que – imagine-se – até “ralhava com os alunos”. Ali exerceu serviço docente durante oito anos, chegando a integrar o Conselho Directivo daquela unidade de ensino. Aliás, foi na EB Fernando Pessoa que conheceu a colega Ana Maria Magalhães com quem criou, em 1982, uma colecção de livros de aventura. Aliás, no âmbito do Plano Nacional de Leitura, que coordenou com inatacável êxito, quatro livros “Uma Aventura” são recomendados, numa compilação que soma 51 títulos no total.
Apesar de em Dezembro próximo estrear nos cinemas o filme “Uma Aventura na Casa Assombrada”, outras façanhas estão escritas e preparadas para caírem nos escaparates em Março de 2010. Bom ou mal sinal, foi Ana Maria Magalhães a descair-se junto dos media quando reconheceu que Isabel Alçada já estava na calha para suceder a Maria de Lurdes Rodrigues já antes do Verão. Afiançou ela que “quando avizinhámos que poderia a ser ministra adiantámos o trabalho durante o Verão e entregámos o novo livro na semana passada (i.e., a 3.ª do mês de Outubro). Geralmente entregamos em Dezembro. Agora, a partir de Janeiro voltaremos a escrever” - revelou.
Isabel Alçada enfrentará um sector desconfiado e céptico. A anterior equipa ministerial teria um léxico negocial muito próprio – porventura excessivamente impositivo - que se revelou contraproducente e que terá contribuído para afugentar milhares de habituais votantes PS. Erradamente, os sindicatos elegeram entretanto o modelo da avaliação dos docentes como sendo o dossiê cimeiro. Patético. De facto, o sindicalismo na Educação terá de ser mais estratégico e resiliente se quiser sobreviver a médio prazo. Na verdade, trata-se de matéria subsidiária ao inenarrável Estatuto da Carreira Docente, que – entre outros dislates - dividiu a carreira entre “titulares” e… “suplentes”(?!), estrangulando as possibilidades de progressão profissional e tratando como igual o que se distingue pela sua especificidade. Que o digam os Educadores de Infância e os Professores do 1.º CEB…
Cumulativamente, persiste a questão do actual modelo de gestão das escolas. As comunidades educativas, na sua maioria, já perceberam que os Conselhos Gerais poderão não ser verdadeiramente representativos dos anseios e vontades maioritários, com tramitações processuais que se poderão prestar a manipulações ou actuações pouco confessáveis, afigurando-se premente, em matéria electiva, voltar ao princípio de TODOS e cada um dos agentes valerem (mesmo) um voto.
A ver vamos se haverá tempo e vontade para atacar governamentalmente e em regime de concertação com todos os actores educativos, as questões que parecem sufocar sector tão determinante para o desenvolvimento geracional do país.
José Manuel Alho
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