Até nisto somos "portugas" incuráveis...

A Face Oculta


d'Os Sopranos à portuguesa



Já temos a nossa versão dessa emblemática série "Os Sopranos". Num universo dominado pela Sucata, o sucateiro mor, Manuel Godinho - será o diminutivo de "Bigodinho"? - vê-se no meio de tosca trama que parece percorrer um longo e enriquecido roteiro gastronómico, que metem escutas e fotografias (com)prometedoras.


A crise dita as suas regras com cartas rígidas. Há favores que, ao que constará, não ultrapassam a cifra dos 10 000 €uros, entre carros de alta cilindrada alegadamente importados. Portugal merecia uma réplica mais refinada, porventura polvilhada com vestidos da alta costura e obras de arte cristalizados pela História, entre sinuosas taras e manias ostensivamente excêntricas, que certificassem o envolvimento de personagens temivelmente implacáveis. Mas a adaptação está um pouco - como direi?... - rasca.


Esta fatalidade decorrente de estarmos na cauda da Europa dá (sempre) nisto. Até parece que não sabemos fazer mais e melhor. Somos bons. Quando queremos e... podemos. Mas com orçamentos ao nível do Sporting, tudo se torna previsível, gasto e sem qualquer rasgo de inovação.


Com certidões que a comunicação social afiança terem estado paradas quatro meses na PGR, envolvendo escutas ao nosso Primeiro - Oh! Já é tempo de largarem o homem... - afigura-se premente uma apreciação ligeiramente mais sisuda.


Como estaremos eventualmente perante uma parcela de uma teia tida por tentacular, convém esperar pelos próximos episódios. O envolvimento de quadros das grandes empresas públicas, agilizando expedientes mais ou menos confessáveis, é, contudo, matéria de excepcional gravidade.


No entanto, grave para o país e para a jovem democracia que o suporta,  é este misto de sentimentos assente na percepção que as investigações criminais aos graúdos não possuirão os meios necessários à sua conclusão e a impressão que a impunidade contempla(rá), sem grandes pruridos, os mais poderosos.


Numa sociedade vincadamente assistencialista, onde elevada percentagem da população receberá um subsídiozinho para compor o ramalhete orçamental, (ainda) não existe grande consciência cívica para, através de uma esclarecida e reiterada indignação perante a corrupção, exigir JUSTIÇA.


Muito mal irá um país quando, mais importante do que ser Ministro é, na verdade, tê-lo sido...


 


 

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