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Mais uma semana no
país do "Nem-Nem"
A última semana foi farta em revelações, episódios e habilidades que me apoquentam ao ponto de me sentir enojado com semelhante rosário de hipócritas obscenidades.
1.º) A divulgação, em capítulos aparentemente seleccionados, do parecer de arquivamento do PGR às escutas remetidas pelos magistrados de Aveiro pareceu - pasme-se - coincidir com a "piquena" intervenção do Primeiro-Ministro (PM) ao país, suportada em dois telepontos estrategicamente direccionados para verbalizar um conjunto de esperados clichés que nada acrescentaram ao que o engenheiro havia garantido em momentos anteriores.
Entretanto e por muito estranho que tal se afigure, o aparelho do PS não veio a terreiro clamar a mais veemente indignação por tão grosseira violação do Segredo de Justiça no Jornal de Notícias. Ao que constará, só haverá violação quando se revelam escutas comprometedoras. Quando excertos de decisões judiciais são favoráveis à versão mecanicamente repetida pela facção que suporta o PM, tudo não passará de esclarecimentos que visam repor a verdade...
2.º) Escutámos novamente o repúdio de Vara, Junqueiro & companhia em razão da devassa da vida privada de políticos que terão visto conversas suas plasmadas em órgãos de comunicação social. A ironia desta pujante capacidade de indignação é que, aquando da divulgação de um mail entre dois jornalistas do jornal PÚBLICO no Diário de Notícias, não se viram nem ouviram tão musculados guardiões da defesa ao direito à reserva da vida privada...
3.º) Por fim, as audições na Comissão de Ética. Fico desde já contente por ter sido possível recrutar na AR o número deputados necessário à formação de uma Comissão de... ÉTICA. No mais, temos visto um pouco de tudo: desde gagos bem falantes, passando pela oferta de livros e t-shirts, até à distribuição de fotocópias, tudo tem servido para entreter o Zé Povinho. Sugiro a concepção de canecas, esferográficas e bonés alusivos às inquirições. Aquela atmosfera faz lembrar a "Feira dos 28", em Aveiro. Há sempre uma pechincha...
Em resumo, vivemos no país do "Nem-Nem": NEM se descobre a Verdade, NEM se faz Justiça.
PS - Amanhã, segunda-feira, na SIC, Miguel Sousa Tavares (MST) entrevistará (o seu amigo) José Sócrates. Não aprecio a forma e o conteúdo do trabalho protagonizado, nos últimos anos, por MST em televisão.
Em abstracto, não aprecio jornalistas com uma agenda amiga do poder instituído.
Mas voltando ao programa Sinais de Fogo, e porque, como afiança MST no spot promocional, "não há nada mais importante que a Liberdade", reconheço que amanhã mudarei de canal. Sou LIVRE de ver gente e programas que reputo de mais sérios e interessantes. Em relação a MST, (ainda) tenho essa LIBERDADE. Ao contrário de MST, Manuela Moura Guedes não pôde continuar a fazer o seu Jrnal Nacional de 6.ª Feira. Era líder de audiências naquele segmento mas os cidadãos deixaram de poder julgar o seu trabalho. Todos ficámos diminuídos na nossa liberdade colectiva. É esta a consequência de quando alguém é silenciado só porque... não gostam do seu trabalho.
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