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Praga que o povo consente
Na passada terça-feira, no espaço "Grande Reportagem" (vide em baixo vídeo), a SIC apresentou um excelente trabalho sobre uma das maiores pragas - a corrupção - que ameaça os pilares mais fundamentais do estado de direito. Dizem as estatísticas que quase 90% dos casos participados dizem respeito às autarquias. Revelador.
De três testemunhos tão impressivos quão elucidativos, ficou um retrato civilizacional degradante. Três corajosos depoimentos que recusaram postergar a sua consciência cívica em nome de interesses inconfessáveis.
A coisa pública parece actualmente entregue a uma casta de medíocres abjectos, que, à custa de fretes e facadas, terá sequestrado país de forma quase irreversível.
A Justiça aparenta - tal como a Educação - padecer de um experimentalismo instrumental sem fim. Do poder político sobra a impressão de uma flagrante ausência de vontade de perseguir, combater e punir a corrupção. Pelo contrário, com semelhante volumetria de legislação avulsa, logrará, pasme-se, penalizar os denunciantes, ostensivamente desprotegidos por uma tramitação processual que tenderá a proteger o infractor.
A corrupção sempre foi um sintoma de uma nação subdesenvolvida, que amordaça os justos e esmaga os competentes. A actual sucessão de casos em Portugal não deverá ser factor de habituação e acomodação. Nada disto é normal, nem pode ser aceitável. Lá por ter feito escola a impressão de que "tudo isto dá sempre em nada" porque acabará resolvido com o "nacional arquivamento", caberá a todos e a cada um de nós rebelar-se contra semelhante podridão de valores e princípios.
Todos, num caso perto de nós, conheceremos quem, por exclusão de partes, chegou a uma das diversas classes dirigentes. São arautos da incompetência e da mediocridade, daqueles que não hesitaram em hipotecar a espinha e a consciência. Falsos profetas da verdade e da verticalidade têm conspurcado o país sem ponta de vergonha ou arrependimento.
Urge extirpar da nossa sociedade esta noção de que o "crime compensa". Se não for pela acção do poder legislativo, que seja em razão de um esclarecido e poderoso movimento social.
Também aqui, tem de haver sempre alguém que diz NÃO sob pena de se ver cumprida a máxima "quem cala, consente".
Obs. - Sugiro que desligue o som da Rádio Comercial (stop).
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