Exames nacionais arrancam quarta-feira e cada professor que corrigir uma prova do 10.º ao 12.º anos receberá 5€
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Haverá uns mais
iguais que outros?
Mais de 356 mil exames do Secundário serão corrigidos por cerca de 7 100 professores uma vez que há 161 654 alunos em prova, mais 4794 que em 2009.
Os docentes que tiverem a seu cargo a missão de corrigir aquelas provas terão direito a receber cinco euros ilíquidos. Na verdade, e por estarmos a socorrermo-nos de mão de obra altamente qualificada, a quantia será - na óptica de uma opinião pública esclarecida - insultuosa mas ainda assim compatível com o processo, há anos encetado, de acentuada degradação do prestígio social e profissional do professorado.
A situação ganha contornos de escândalo quando, por comparação ao método escolhido para classificação das Provas de Aferição, os docentes não recebem um cêntimo pelo trabalho que lhes é distribuído/imposto.
Tratar-se-á de trabalho extraordinário que, além do tempo requerido para a sua correcção, inclui a participação (obrigatória) em três reuniões, sobrecarregando - quase ao limite do insano - a carga horária dos professores, em particular dos do 1.º Ciclo.
De nada vale arguir que a correcção dos exames do Secundário, por não se encontrarem na escolaridade obrigatória, deve (só por isso) ser remunerada. É uma questão de princípio. Trata-se de uma atribuição que, por não abranger TODOS os docentes, tem carácter excepcional/extraordinário. A classificação das provas de Aferição deveria, mesmo que a título simbólico, ser igualmente paga.
A crise que o país atravessa não deve ser pretexto para todo e qualquer dislate demagógico. Não são só os quadros dos gabinetes ministeriais, das empresas como a EDP, GALP ou PT que, por imperativos de dignidade na comparação com seus pares europeus, merecem ser pagos pela relevância das suas funções no funcionamento dos principais serviços públicos. Ou há moralidade ou...
Se calhar, há (mesmo) alguns mais iguais que outros.
JMA
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