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Desejo o melhor mas...
sou um optimista
bem informado
Hoje, frente à Costa do Marfim, a Selecção de todos nós inicia a sua participação no Mundial 2010. Ponto prévio: desejo e torço por uma participação à altura das melhores expectativas deste povo sofrido e há tanto tempo acantonado neste rectângulo deprimido.
Esta declaração de interesses é necessária porque, como tantas vezes acontece, a crítica é (muitas vezes) confundida com falta de patriotismo. Nada disso.
Confesso que a caminhada na fase de apuramento confirmou os piores receios. Creio que estamos perante uma daquelas situações onde o falta de carisma, com forte repercussão na vertente comunicacional, está a federar descontentamentos dos mais imprevistos quadrantes. Falo, como facilmente se depreendeu, de Carlos Queiroz. Está uma personalidade diferente. Veio de Inglaterra mais agastado, zangado e até arrogante. Aparenta padecer de uma explosiva mistura de complexos de superioridade com desvarios de inferioridade. Envolveu-se em escaramuças - que até chegaram a vias de facto... - com jornalistas. Parece injustificadamente acossado, com baixa tolerância à crítica. Está inseguro.
Sobre a selecção dos 23 jogadores oportunamente divulgada, sou obrigado a discordar. Principalmente no que toca à escolha dos guarda-redes. Excluir Rui Patrício e, principalmente, Quim, foi abrir uma frente de guerra que pode ter consequências nefastas. Depois de ter provocado Jorge Jesus, insinuando que terá demorado muito a perceber o óbvio (vulgo, que Fábio Coentrão rendia mais como lateral esquerdo, reclamando até a paternidade da inovação), perpassou entretanto uma ostensiva falta de coerência. Queiroz, a pretexto do caso Vítor Baía, afiançou na sua primeira conferência de imprensa que seriam convocados os jogadores que, em dado momento, estivessem em melhor forma. Ignorar Quim foi esquecer uma época extraordinária do guardião encarnado.
Para complementar este chorrilho de incoerências, não se percebe o forcing por ele protagonizado no processo de naturalização de Liedson. Para quem defendeu tão acerrimamente o jogador português, não perdendo o ensejo de, em várias ocasiões, lançar numerosas farpas ao seu antecessor no tempo em que assessorava Ferguson, fica a impressão que devemos somente escutar o que diz Queiroz sem nunca olhar para o que faz. Aliás, escolher uma melodia em língua inglesa, cantada por um grupo estrangeiro, para hino da representação portuguesa na África do Sul é algo que não lembraria ao impagável Scolari. Que venha o Roberto Leal!
Sobre a preparação, expresso a minha incredulidade. Participar em mega PicNic's e parar em postos de abastecimento a caminho do aeroporto são singularidades usuais em amadores deslumbrados. Quem se expõe desta forma, desviando-se do essencial, só pode estar a desafiar a sorte. Só faltou eleger o garrafão de palha como o ícone maior desta nova missão d'"os navegadores"!
Descontada a azelhice organizacional no caso Nani, os sinais por ora conhecidos não são credores de grande optimismo. A ver vamos. Em abono da verdade, e como afiança um adágio russo, "o pessimista não passa de um optimista bem informado"...
JMA
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