»Assim sendo, terminar sem mais, com esta alternativa curricular será uma boa decisão?»

Fim dos CEF


Sei, de fonte segura, que no próximo ano lectivo, não vai ser autorizado o funcionamento de novas turmas de dupla certificação, como os Cef. Os que existiam continuam até concluir mas nada de novo se inicia. O motivo apresentado pelo ME é que há mais professores do que alunos a frequentarem estes cursos. Todos os alunos que iriam beneficiar desta alternativa vão ser integrados no ensino regular.


 


Esta questão merece uma análise cuidada, tanto agora como depois na integração destes alunos no ensino regular. Há, por um lado, escolas em que as turmas Cef começam com 15 alunos e passado algum tempo têm 5. Mas há também escolas em que a realidade é outra. Também é verdade que há Cefs em que o sistema não funciona, mas outras em que é de louvar o trabalho desenvolvido.  Outras ainda, por diversos motivos, querem funcionar mas é bastante difícil. Assim sendo, terminar sem mais, com esta alternativa curricular será uma boa decisão?


Por motivos diversos, entre os quais a falta de políticas sociais que o sejam efectivamente (claro que não falo do estímulo ao parasitismo),  chegaram e chegam ao segundo e terceiro ciclos do ensino básico, alunos com 13, 14, 15 e mais anos, que revelam grandes dificuldades em realizarem o currículo regular. As alternativas curriculares apresentadas e que o sistema educativo prevê (e que até foi critério de avaliação dos conselhos executivos na última avaliação) são, em teoria, uma resposta escolar que possa ser adaptada à realidade destes alunos. Contudo, o ME não se preocupou em avaliar e melhorar a implementação destes cursos, que muitas vezes e vezes demais foram confundidos com facilitismo e agora, sem qualquer tipo de avaliação corta tudo!


 


Contudo, há um outro aspecto – se parece sensato não autorizar turmas com cinco alunos, qual o apoio que vai ser dado aos alunos que teriam perfil para integrar estas turmas e que agora não vão ter essa possibilidade? Embora eu creia que muitas das alternativas curriculares que foram criadas não tinham como objectivo o verdadeiro sucesso escolar, essa necessidade existe porque há alunos que apresentam perfil e isso é muito claro. O que pensou o ministério para estes alunos, visando sucesso efectivo?


Duas formas de violar claramente o direito de cada criança e do jovem à educação – por um lado, desculpar, justificar e por isso facilitar a vida escolar; por outro, ignorar o contexto de cada um!


Ramiro Marques (in ProfBlog)

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