A revista "Newsweek" está a ter o seu annus horribilis: primeiro foi a quebra de vendas, com os números de 2009 a revelarem perdas de 30 milhões de dólares; depois foi posta à venda pelo grupo do "Washington Post" e finalmente comprada por Sidney Har

Transferência de


Fareed Zakaria


para a "Time" é mais uma


machadada na "Newsweek"


Entretanto, foram saindo alguns dos seus mais conhecidos e valiosos jornalistas, editores e colunistas. Agora, para culminar a instabilidade que mina a newsmagazine semanal, a "Newsweek" perdeu o seu mais importante e conhecido colunista, Fareed Zakaria, que também editava a edição internacional da revista. Ao jeito das mais sumarentas transferências futebolísticas de Verão, Zakaria muda-se para a concorrente directa "Time".


A transferência é feita no âmbito de um contrato amplo com o grupo Time Warner, cujo cerne reside no seu braço televisivo, a CNN, onde Zakaria já tem o programa Fareed Zakaria’s GPS. A CNN será a âncora do contrato e Zakaria assinará vários programas especiais para o canal de notícias, além de servir como consultor na secção de documentários do canal de cabo pago HBO. Na "Time", ocupará o posto de editor associado, escreverá uma coluna bimensal e estima-se que escreva cerca de seis histórias de capa por ano. A sua coluna no "Washington Post" nada sofre com esta mudança e não foram revelados outros detalhes da contratação, seja em termos de timing seja em termos financeiros.

A "Newsweek" perde assim um candidato a um cargo de direcção da revista, algo de que se falava nos bastidores, e um escritor especializado em política internacional que prefere continuar a trabalhar no terreno do que “perceber qual o modelo de negócio da 'Newsweek' no iPad”, como disse ao "New York Times". Embora, ressalvou, “esse trabalho também seja muito importante”.

“Todo o meu trabalho vai agora aparecer numa só empresa, e em vez de uma certa estranheza, há uma sinergia muito real”, disse Zakaria ao "New York Times".

Na luta entre a "Newsweek", mais conotada com os liberais, e a "Time", mais próxima dos conservadores, ambas estão em queda nas vendas. Mas é a "Newsweek" que mais tem perdido terreno – a circulação média está reduzida aos 1,6 milhões de exemplares, contra os 3,3 milhões da "Time".

Richard Stengel, director adjunto da "Time", disse ao "New York Times" que Fareed Zakaria é um de poucos “intelectuais públicos globais” e que o autor já deu provas de “quão importantes para nós são o seu pensamento e a sua escrita, especialmente desde os atentados de 11 de Setembro”.

Fareed Zakaria ganhou protagonismo na arena internacional com os seus artigos sobre diálogo intercultural e religioso, relações internacionais e globalização depois de uma ascensão rápida no sector dos média, tendo-se doutorado em Ciências Políticas em Harvard um ano depois de ter assumido a edição da revista "Foreign Affairs", em 1992. À direcção da versão internacional "Newsweek" chegou em Outubro de 2000, onde se manteve até esta transferência.

Assinou "O futuro da liberdade: a democracia liberal nos Estados Unidos e no mundo", "O mundo pós-americano" (ambos editados em Portugal pela Gradiva) e figurou na lista de best-sellers do "New York Times". Em 2009, Zakaria foi considerado o 11º liberal mais influente nos média norte-americanos (apesar de se considerar “um centrista”), numa lista de 25 nomes compilada pela "Forbes" e encimada pelo economista Paul Krugman. Em 2005, o jornal nova-iorquino "Village Voice" chamava-lhe “O Intérprete”.


Fonte: PÚBLICO

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