Reflexão (muito) pertinente da APEDE. O 1.º Ciclo precisaria de uma transformação curricular clarificadora e aos seus professores aliviados da insustentável canga administrativa.

O chorrilho de tropelias


no 1.º Ciclo


 Texto de José Manuel Alho


 


Reorganização curricular: a verdade “escondida” e as oportunidades perdidas


 


A Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE) apreciou criticamente a reorganização curricular viabilizada pelo novo executivo governamental, ponderando um conjunto, assaz pertinente, de reflexões a merecer detida consideração.


A dado momento do post, aponta a ausência de uma "intervenção séria no 1.º Ciclo", que "não sofreu qualquer reorganização". É um fato que, numa apreciação mais abrangente, evidenciará a menoridade a que aquele nível de ensino foi, há muito, votado. Para este degredo institucional terão contribuído negligências várias, que não excluem docentes investidos em cargos dirigentes nem absolvem sindicatos reiteradamente incompetentes na defesa da especificidade de tão estruturante patamar educativo.


Por vezes, o 1.º Ciclo é ignorado e tratado com estupidificante desprezo, que alguns - na sua tonta indisponibilidade para ouvir quem pensa diversamente - terão comparado a uma qualquer ciência do oculto.



"Mas o 1.º Ciclo, desde há muito, tem servido para mil e uma experimentações. A aplicação do princípio da "Escola a tempo inteiro" - com repercussões e danos que exigem estudo urgente e aturado - começou por onde?! Sob o pretexto de facilitar a ação das famílias, com horários laborais incompatíveis com as rotinas escolares, obrigaram-se milhares de crianças a violências que o futuro se encarregará de revelar. Mas esse milagroso paradigma da "Escola a tempo inteiro" - pasme-se! - parece esvair-se com a transição para o 2.º Ciclo, sendo oportuno perguntar se, depois de concluídos os primeiros quatro anos de escolaridade, os Pais/Famílias deixaram de trabalhar ou passaram a ter horários de trabalho mais flexíveis?...



Contudo, a responsabilidade maior terá de ser imputada, sem excepções, aos sindicatos. Até hoje, a EVIDÊNCIA que celebrizou uma representatividade incompetente residirá no modo acrítico como permitiram que os docentes vissem efetivamente  agravada a sua carga horária letiva (de 25 para 26,30 horas) com a generalização, sem critério, do Apoio ao Estudo. Isto é, na componente supostamente "não letiva" - e apesar de todas as recomendações tutelares invariavelmente desconsideradas - são os docentes titulares de turma que, na sua sala de aula, desenvolvem incontestável trabalho letivo, mas diluído qual oferta disponibilizada no âmbito das AEC. Some-se a isto infindáveis atribuições burocráticas - que passam pelo registo do consumo do leite, pela entrega da fruta aos meninos até ao cumprimento da tramitação processual atinente à atribuição dos mui disputados "GaMalhães"... - que atestam uma pulsão administrativa que descaraterizou, empobrecendo, o desempenho de profissionais tão qualificados.



"Enfim, parece que tudo se pode pedir/exigir ao 1.º Ciclo - mormente aos seus Professores - enquanto antecâmara preferencial dos mais exóticos desmandos de "técnicos" e "especialistas" ávidos de ensaiar mil e uma torturas. E isto SÓ tem sido possível porque os docentes - em especial, as suas forças sindicais - padecem de um grave défice de representatividade ao ponto de serem tomados por óbvias moedas de troca ou de inocentes cordeiros oferecidos para "sacrifícios maiores" e usualmente inconfessáveis.



Mas o 1.º Ciclo, desde há muito, tem servido para mil e uma experimentações. A aplicação do princípio da "Escola a tempo inteiro" - com repercussões e danos que exigem estudo urgente e aturado - começou por onde?! Sob o pretexto de facilitar a ação das famílias, com horários laborais incompatíveis com as rotinas escolares, obrigaram-se milhares de crianças a violências que o futuro se encarregará de revelar.  Mas esse milagroso paradigma da "Escola a tempo inteiro" - pasme-se! - parece esvair-se com a transição para o 2.º Ciclo, sendo oportuno perguntar se, depois de concluídos os primeiros quatro anos de escolaridade, os Pais/Famílias deixaram de trabalhar ou passaram a ter horários de trabalho mais flexíveis?...


Enfim, parece que tudo se pode pedir/exigir ao 1.º Ciclo - mormente aos seus Professores - enquanto antecâmara preferencial dos mais exóticos desmandos de "técnicos" e "especialistas" ávidos de ensaiar mil e uma torturas. E isto SÓ tem sido possível porque os docentes - em especial, as suas forças sindicais - padecem de um grave défice de representatividade ao ponto de serem tomados por óbvias moedas de troca ou de inocentes cordeiros oferecidos para "sacrifícios maiores" e usualmente inconfessáveis.


Por ironia, o desempenho profissional e a sanidade mental dos professores do 1.º Ciclo APENAS melhorará se e quando o MEC, num rasgo de imprevista sensibilidade, decidir pôr cobro a tão insuportável chorrilho de tropelias.


JMA 

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