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Nova Biblioteca Municipal
- Que expectativas?
Estão em fase adiantada as obras de adaptação do Palacete da Boa Vista para a Nova Biblioteca Municipal (NBM), calculadas em 1,4 milhões de euros, que deverão concluir-se a tempo da abertura oficial agendada para o início de 2013.
Complementarmente, refira-se que Eduardo Costa Ferreira é simultaneamente o autor do projeto de arquitetura e o Chefe da Equipa de Projeto da NBM, evidência que me tranquiliza de sobremaneira dada a estima e consideração profissionais que venho cimentando desde que passei a acompanhar o seu trabalho com maior assiduidade.
Recorde-se que o palacete foi mandado construir, em 1896, por João Patrício Álvares Ferreira, tendo como autor o arquiteto Joaquim António Vieira. Possui, além de estuques de elevada qualidade, pinturas diversas saídas do atelier de Domingos Costa, de Lisboa, também datadas de 1910, a decorar salas e quartos. Sabe-se que as pinturas e os tetos já terão sido restaurados por especialistas do setor. Estou, confesso, ansioso por apreciar o resultado final de tão melindrosa intervenção.
"... o perfil do potencial leitor equivale cada vez mais ao perfil de um nativo digital, acostumado a otimizar as ferramentas tecnológicas de forma tão natural como instintiva.
No mais, cumprirá desde já refletir sobre que tipo de ação desenvolverá a NBM em prol da coletividade. Na atualidade, enfrentamos uma conjuntura ambígena em que o texto tradicional impresso coabita com novas produções em suportes e formatos diferentes. Cumulativamente, o perfil do potencial leitor equivale cada vez mais ao perfil de um nativo digital, acostumado a otimizar as ferramentas tecnológicas de forma tão natural como instintiva. Daí que a promoção eficaz da leitura exija a ponderação e a viabilização de estratégias adequadas ao contexto temporal, social e cultural a que pertence este reabilitado equipamento público.
Assim, não se torna necessário socorrermo-nos de uma qualquer ciência do oculto para estimar que a NBM estará fortemente vocacionada para desenvolver missões muito concretas em áreas como:
· Crianças e Jovens;
· Informação;
· Cultura;
· Educação e Alfabetização.
Em consequência, só posso alimentar a legítima expectativa de Albergaria poder passar a dispor de uma NOVA biblioteca pensada e formatada para o século XXI. Uma infraestrutura dotada da polivalência necessária à assunção de novos papéis, tornando-se uma biblioteca multifacetada, isto é, com espaços, serviços e coleções simultaneamente físicos e virtuais onde as novas tecnologias de informação e da comunicação possam ser a base primordial do serviço e da dialética com o utilizador. Por isso, afigura-se crucial oferecer a qualquer cidadão um conjunto de informações que as novas tecnologias tornam disponível, mas já de forma selecionada e depurada até para que possa ser armazenada e, a todo o tempo, recuperada. Para o efeito, ter-se-á forçosamente de estimular a integração e a convivência dos suportes de informação, impressos e digitais.
Em abono da verdade, tudo isto pressupõe o conceito de uma biblioteca inteligente que harmonize, de uma forma sustentável, tanto sua modernização tecnológica quanto sua capacidade contínua de renovação. Mais do que privilegiar-se um modelo centrado na DISPONIBILIDADE, que sempre priorizou as grandes coleções e os edifícios sumptuosos, entendo que a aposta deverá agora concentrar-se na na ACESSIBILIDADE, agilizada pelo intercâmbio com as demais unidades de informação conectadas em rede. A concretizar-se esta mudança de paradigma norteador, estaremos então perante um valioso recurso facilitador da inclusão digital, que disponibilizará modelos de reflexão para a educação social e o cobiçado desenvolvimento comunitário.
José Manuel Alho
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