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Esta Albergaria acossada
Por José Manuel Alho
À falta de melhores protagonistas, Portugal inaugurou 2013 com forçada disponibilidade para fúteis penitências de Canossa. Na aurora de um novo ano, emergiu Pépa Xavier, essa provável blogueira da moda nacional, com aquele singular sotaque português que Herman José já contextualizou. Explicou o humorista que, pela década de sessenta, o pessoal queque da grande capital, armando-se em afilhados de Champalimaud, forjou a pronúncia em que os lábios não mexem e o som sai arranhado da garganta. Um feito com efeito(s) inaudito(s).
Porque (não recomendo leitura apressada) a Pépa quer uma mala, o País sucumbiu, indignado, à frivolidade de quem, ganhando 700 €uros, almeja ter uma bolsa "Chanel" preta, clássica, que pode custar mais de cinco mil euros.
Lá no fundo, estamos mais rodeados de Pépas do que julgamos mas decidimos embirrar com esta só porque… correu mal. Na verdade, muito mal.
"E o Cine-Teatro Alba? Mais de 3330 00 euros apenas com programação, valor esse que não inclui sequer ordenados, água, luz, gás (…)” (In Opinião, por Delfim Bismarck, pág. 3).
No meio deste turbilhão extrapolado pelas redes sociais, de contornos virais, também eu me reconheço com baixa tolerância a uma certa lógica de trincheira(s) onde a coisa pública acaba invariavelmente (muito) mal tratada. Para o efeito, destaco, sem necessidade de outros complementos, excertos do que foi dado à estampa pela última edição do “Correio de Albergaria”, de 9 de janeiro passado:
- “”(…) nos últimos quinze dias procurámos, por diversas vezes, contactar o presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, João Agostinho Pereira, para que nos desse uma entrevista (…). Não tendo tido qualquer resposta, resta-nos concluir como o presidente da edilidade encara a existência do único órgão comunicação sediado no concelho.” (In Editorial, pág. 2).
- “(…) cujo presidente (n.d.r. João Agostinho Pereira), mais uma vez, não respondeu à maior parte das perguntas feitas pela oposição (…)” (In pág. 2).
- “A autarquia há alguns anos que deixou de enviar para os órgãos de comunicação a Ordem de Trabalhos destas assembleias (…)” (n.d.r. para aprovação dos Orçamentos e das Grandes Opções do Plano do Município). “Verifica-se haver um atraso na ampliação da Zona Industrial em cerca de 50%.” “Claro que mais de 100 000 euros de publicidade institucional (…)” “Também o Mercado Municipal foi bafejado (…) a simbólica quantia de 14 000 euros, para obras de beneficiação em 2013.” “E o Cine-Teatro Alba? Mais de 3330 00 euros apenas com programação, valor esse que não inclui sequer ordenados, água, luz, gás (…)” (In Opinião, por Delfim Bismarck, pág. 3).
- “Mas esta proposta (n.d.r de agregação freguesias) não interessava a quem está no poder e, por isso, a proposta apresentada era bem mais vantajosa para os »laranjas».” (In Opinião, de Miguel Cunha, Pág. 4).
- “Também o arranjo da Praça Alameda 5 de Outubro merece uma referência. Primeiro pela não existência de um concurso público, atribuindo-se, uma vez mais, sem concurso, a obra a um autor sem grandes referências (…)” (In Reportagem, pág. 6, reproduzindo intervenção de Delfim Bismarck).
- “Receitas do Cine-Teatro não são conhecidas” “Desde »recados» do presidente da Assembleia Municipal a quem escreve no Facebook (…) e porque não ao pedido do presidente da autarquia para que o jornalista do CA parasse de tirar fotos à sessão.” “Rogério Camões, presidente da Assembleia Municipal, num forte »recado» para a opsição. »Se pensam que é através de posts no facebook que me calam, estão bem enganados, porque eu sou membro eleito pelo que posso emitir opiniões quando bem me apetecer» (…)” (In Reportagem, pág. 7).
Basta. Confesso-me perplexo com esta Albergaria aparentemente acossada com o escrutínio público, agitada pela inabilidade para lidar com a diversidade onde alguns eleitos reclamarão uma liberdade de expressão e de ação que parecem muitas vezes negar a quem (eleito ou não) ousa pensar diferentemente da linha dominante. Há tempo e espaço para todos.
Se calhar, fruto do desgaste acumulado e absolutamente compreensível, como diria a “blogger Chanel”, haverá gente a “precisar de tempo, tempo pessoal” até porque “para 2013, desejo: 2013 pode ser um ano de sorte ou de azar, não é? Espero que seja de muita sorte. Quero muita sorte para 2013. É o meu primeiro desejo – muita sorte.”
José Manuel Alho
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