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Praça Alameda 5 de Outubro
– Uma escolha para gerações
Por José Manuel Alho
Na sequência das notícias vindas a público, confirmando a aprovação do anteprojeto da regeneração urbana da Praça Alameda 5 de Outubro, num investimento que poderá atingir 1,8 milhões de €uros, devo confessar a minha sentida desilusão.
Mais do que as questões formais já apontadas por quem de direito, das quais ressaltará a ausência de abertura de concurso público, cumpre lamentar que a intervenção a realizar naquela zona simbolicamente nevrálgica exclua a área envolvente à estação ferroviária, propriedade da CP – Comboios de Portugal.
A este propósito, recordo que a questão das praças – mormente as centrais – nas nossas cidades ganhou renovada acuidade na medida em que passou a denunciar o modo como o poder local pondera e define as suas funções. Num tempo em que os espaços públicos de lazer vão escasseando na paisagem urbana, diminuídos em favor de espaços privados, que privilegiam relações vincadamente mercantilistas em que o lazer se tornou um produto somente ao alcance de alguns, cumpriria, ao mesmo tempo que se auscultam as legítimas aspirações da população, descortinar que modelo(s) arquitetónico(s) defenderá a o atual executivo camarário para aquele espaço.
Ora o que parece acontecer é que se desconhece, com o detalhe exigível, o projeto da edilidade para aquele espaço e que linhas nortearão a obra entretanto anunciada. Para o efeito, pouco se esclarece quando se reconhece que “se trata de uma área de intervenção de grande importância para a cidade, pelo que vamos dotá-la das melhores condições, num contexto de qualidade de vida urbana.” Estas formulações, sempre abstratas para serem consensuais, nada adiantam. Ficamos todos na mesma.
"Se o desiderato maior se confinar a (re)contruir um coreto aparelhado por uma estrutura envidraçada a que, por razões de oportunismo emocional, alguns pretenderão associar ao emblemático Girassol, devo prevenir que afinal se trata de muito dinheiro. A coisa sair-nos-á cara.
Infelizmente, constata-se agora, não deverá ter lugar um qualquer concurso de ideias com o envolvimento de parceiros autorizados como seria o caso da Ordem dos Arquitectos. Complementarmente, parece que a tão requisitada sociedade civil não foi (nem será) tida para o enriquecimento da decisão, num chorrilho de evidências que baixa consideravelmente as expectativas.
Reafirmo: a Praça Alameda 5 de Outubro não pode ser um equipamento inerte, um ponto de passagem a caminho de qualquer coisa que não gera qualquer vínculo com os cidadãos. Se o desiderato maior se confinar a (re)contruir um coreto aparelhado por uma estrutura envidraçada a que, por razões de oportunismo emocional, alguns pretenderão associar ao emblemático Girassol, devo prevenir que afinal se trata de muito dinheiro. A coisa sair-nos-á cara.
Estamos confrontados com um momento de opção que marcará gerações. Há que ter essa consciência. Por isso e em razão dos constrangimentos da situação presente, importaria edificar um equipamento que exponenciasse as possibilidades de uso e de apropriação numa perspetiva duradouramente inclusiva. A menos, claro está, que se pense que “estas coisas” não dizem respeito às pessoas ou até mesmo que as populações jamais estarão preparadas para dar um contributo válido em matérias que lhes dizem (efetivamente) respeito…
José Manuel Alho
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