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Parques infantis
em Albergaria
Por José Manuel Alho
Na edição do passado dia 6 de março, no espaço “FOTO DENÚNCIA” deste jornal, um leitor participou o “desaparecimento” do parque infantil outrora edificado na Urbanização Quinta de Santa Cruz, em Campinho, bem perto do quartel da GNR.
Tratou-se de um precioso exercício de cidadania – que urge replicar com acrescida veemência - exaltado pela irreversibilidade de uma imagem que, só por si, dispensaria melhores considerandos.
Infelizmente, a população parece consentir, com inexplicável permissividade, o crescente desprezo a que este tipo de infraestruturas tem sido votado pela autarquia. De início, o executivo camarário ter-se-á esforçado por aparentar um ímpeto reformador indexando, nos termos da legislação aplicável, a criação de parques infantis à edificação de um punhado de urbanizações. Volvidos alguns anos, percebeu-se, afinal, que a degradação imposta pelo tempo terá desnudado o lirismo que animaria tão envergonhada (pseudo)reforma. Fez-se pouco e os equipamentos entretanto criados encontram-se num estado miserável. As crianças do Concelho mereciam mais e melhor.
No caso concreto dos parques infantis, assunto que só interessa a autarcas sensíveis às matérias da infância, cumpre sublimar a importância daqueles espaços para o desenvolvimento pleno, integral e harmonioso das crianças. De igual modo, importa assacar aos poderes públicos a responsabilidade de a todos garantir o direito de brincar e, mais concretamente, o direito de brincar em segurança, contribuindo para a promoção de uma verdadeira cultura de valorização da infância.
Em razão do crescimento desmesurado do betão que nos constrange, a coletividade debate-se com a falta de espaços verdes, a insegurança, a poluição e a falta de tempo de muitos pais para, em circunstâncias satisfatoriamente estruturantes, fomentar atividades lúdicas. Acresce a esta evidência o reconhecimento de que as nossas crianças tendem a passar demasiado tempo em ambientes fechados, sentadas ao televisor, ao computador, comprometendo assinalavelmente o seu desenvolvimento físico, psicológico e social.
"Volvidos alguns anos, percebeu-se, afinal, que a degradação imposta pelo tempo terá desnudado o lirismo que animaria tão envergonhada (pseudo)reforma. Fez-se pouco e os equipamentos entretanto criados encontram-se num estado miserável. As crianças do Concelho mereciam mais e melhor.
Em consequência, deseja-se que a Câmara Municipal aceite a realidade e concorde em revertê-la. Para o efeito, espera-se que inicie o levantamento e avaliação dos parques existentes para depois pensar e projetar o futuro. Construir um parque infantil com uns balancés e uma dezena de baldes de areia não basta. Antes, deverá ponderar-se a filosofia que presidirá à tipologia dos parques infantis que melhor corresponderão às necessidades das crianças da nossa terra. Neste particular, defendo que devem ser locais exponenciadores da criatividade, do convívio entre diferentes idades, do contacto e descoberta da natureza, e, simultaneamente, um local seguro e de referência na comunidade. Em resumo, devem tratar-se de espaços que fomentem estilos de vida mais saudáveis.
Enquanto não se desvenda o futuro, regista-se, para memória futura, o infausto “desaparecimento”do parque infantil da Quinta de Santa Cruz, cravado em tempos numa zona absolutamente privilegiada. Paz à sua alma.
José Manuel Alho
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