Artigo de Opinião publicado na última edição do jornal "Correio de Albergaria".

Tudo nos acontece


Por José Manuel Alho


 



As últimas semanas de maio reservaram uma desgraçada sucessão de tribulações e padecimentos. Sim. Benfiquista me confesso. Ganhando mais que Zeinal Bava e António Mexia juntos, o homem que sempre falha nos momentos das decisões entregou o SLB ao ridículo. Jorge Jesus, depois de elevar os adeptos ao cume das melhores expectativas, ajoelhou e chorou. Poderia ter sido deliciosamente tântrico, mas chegou ao limite da pornochachada.


No momento em que escrevo, não é ainda oficial o anúncio da sua continuidade. Se ficar, registe-se para a posteridade o erro que perpetuará o problema. Apesar dos incontestáveis méritos imputados à gestão empresarial de Vieira, a verdade é que o clube denuncia ser vítima de uma gestão desportiva imprudente e recorrentemente inábil, parecendo entregue à vulgaridade que opta por compatibilizar amuos e caprichos para não ser confrontada com a premência que distingue os decisores dos vendedores de ilusões.



»No seu ADN não está inscrito o conformismo de quem se galvaniza simplesmente por ter sido um “quase vencedor”. O museu do SLB deve ser uma inspiração para novos êxitos e não um mausoléu de gratas mas longínquas recordações.»



O universo benfiquista não se reconhece na arrogância de quem, rebaixando a gramática da língua materna, destrata jogadores e amesquinha adversários. O Benfica é feito de querer, garra e ambição. No seu ADN não está inscrito o conformismo de quem se galvaniza simplesmente por ter sido um “quase vencedor”. O museu do SLB deve ser uma inspiração para novos êxitos e não um mausoléu de gratas mas longínquas recordações.


Como se a desastre já não fosse, por si, devastador, até o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, ousou, num no almoço de empresários organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Lusa-Espanhola, pedir "simpatia pelas difíceis semanas" que tem vivido "como adepto do Benfica". Aguenta-se tudo mas há um limite que não pode ser, em caso algum, ultrapassado. Mesmo para um magrebino em sofrimento. O meu Benfica e este Ministro das Finanças não têm nada em comum. Nós importamo-nos com o futuro e ainda nos permitimos sonhar com dias melhores.


Tudo nos acontece. Será que este karma não tem fim?!


José Manuel Alho

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