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»Tudo acontece quando durmo, tudo continuará a acontecer quando deixar de poder abrir os olhos. Ainda esta noite, tudo continuou: promessas de amor para sempre, corpos molhados de desejo, suicidas enforcados ou envenenados com comprimidos,punhais nas vielas, o primeiro “chuto” de alguém que se começou a perder, festas de aniversário, insónias de quem soube que um cancro é seu inquilino ou que a pessoa ao lado tem uma vida dupla. Enquanto durmo, pais perderam os seus filhos. Bebés nasceram de cesarianas, fórceps e partos naturais. Homens e mulheres estenderam as suas mãos e pediram pela primeira vez. Casas foram assaltadas, apaixonados despiram-se em luas-de-mel, sonhadores não pregaram olho, dementes fizeram telefonemas anónimos, doentes e feridos entraram nas urgências dos hospitais, mais entraram na lista dos que enlouqueceram. Enquanto dormi esta noite; agarrado a uma almofada como se estivesse vivo.»
Luís Osório
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